Metade das empresas espera que impacto da crise se prolongue

Recuperação pode chegar só em 2023 para muitas empresas. Pessimismo sobre incumprimento nos pagamentos de clientes também aumentou.

Uma em cada duas empresas portuguesas não espera uma recuperação rápida da crise provocada pelas medidas adotadas no âmbito da gestão da pandemia. As empresas também estão mais pessimistas no que toca os pagamentos por parte de clientes e antecipam um aumento do incumprimento nos próximos 12 meses. Estas são duas das conclusões de um estudo anual da Intrum cujos resultados são hoje divulgados.

Segundo o estudo, "poucas empresas portuguesas esperam uma recuperação rápida ", sendo que a maioria espera que o impacto da crise se prolongue nos negócios. No total, 36% das empresas "acreditam que levará até dois anos" até que a crise "pare de ter um impacto financeiro negativo nos negócios" e 14% esperam que a recuperação total só aconteça em 2023. Algumas empresas (2%) são ainda mais pessimistas e apenas esperam que o impacto da crise desapareça só daqui a cinco anos. Quase 40% das empresas planeiam cortar custos em 2021 para lidar com a crise.

"Executivos de toda a Europa preveem clima de incerteza para os próximos anos. Em toda a Europa, cerca de metade daqueles que viram os seus lucros diminuir dizem que apenas em 2022 ou 2023 é que os negócios retomarão a normalidade", avança o estudo. "Em Portugal, este valor sobe para 51%", adianta.

Mais de 40% das empresas portuguesas temem uma recessão pan-europeia nos próximos 12 meses.

Por outro lado, as empresas portuguesas estão mais pessimistas em relação aos pagamentos de clientes. De acordo com o estudo, 64% das empresas "estão mais preocupadas do que nunca com a capacidade dos seus devedores em pagarem nos prazos, versus 62% em toda a Europa".

A maioria das empresas (63%) acredita que vai aumentar o incumprimento por parte de clientes, nos próximos 12 meses. No mesmo estudo efetuado em 2020, a percentagem era de 54%.

"Mais da metade das empresas [52%] afirmam que os constrangimentos na liquidez dos devedores" representam um grande desafio para os pagamentos imediatos nos próximos 12 meses - quatro pontos percentuais acima da média europeia.

Em média, uma em cada duas empresas portuguesas admite ter "tido sorte em sobreviver ao impacto" da crise económica provocada pelas medidas restritivas decorrentes da estratégia de gestão da pandemia.

"Por outro lado, independentemente da incerteza criada pela pandemia, as empresas europeias estão mais entusiasmadas com o crescimento e o futuro como já não há memórias há vários anos. Em Portugal, 48% dos inquiridos concordaram com esta afirmação, três pontos percentuais acima da média europeia, que se situou nos 45%", salienta.

Nos meios de pagamento, "em Portugal, 18% dos inquiridos acreditam que uma sociedade sem dinheiro será uma realidade dentro de cinco anos, valor em linha com a média europeia".

Esta é a 17.ª edição do estudo European Payment Report para Portugal que é baseado num inquérito a 500 empresas portuguesas. O inquérito foi realizado entre 25 de janeiro e 16 de abril deste ano, simultaneamente em 29 países europeus, num total de 11 187 empresas europeias inquiridas em mais de 11 setores de atividade.

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