Metro de Lisboa

Metro de Lisboa: Novas estações vão abrir com mais de um ano de atraso

O primeiro-ministro, António Costa (C), acompanhado pelo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes (D), e pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina (2-E), à chegada para uma viagem de Metro no âmbito do lançamento do concurso de construção das novas estações do Metropolitano de Lisboa, em Lisboa, 09 de janeiro de 2019. MIGUEL A. LOPES/LUSA
O primeiro-ministro, António Costa (C), acompanhado pelo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes (D), e pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina (2-E), à chegada para uma viagem de Metro no âmbito do lançamento do concurso de construção das novas estações do Metropolitano de Lisboa, em Lisboa, 09 de janeiro de 2019. MIGUEL A. LOPES/LUSA

Foi aberto esta quarta-feira o concurso público para a construção das estações de Estrela e Santos e a ligação a Rato e Cais do Sodré.

Foi aberto esta quarta-feira o concurso público para a construção de duas novas estações e a criação da linha circular do Metro de Lisboa. Este projeto de expansão vai custar um total de 210,2 milhões de euros e estará concluído em 2023. Os trabalhos, no entanto, ficarão concluídos com mais de um de atraso.

O projeto da linha circular foi anunciado em maio de 2017 e na altura estava previsto que a obra ficasse concluída até ao final de 2021. Agora, os trabalhos para a nova fase de expansão do Metro de Lisboa deverão arrancar em outubro.

O projeto prevê a criação de uma linha circular, a linha verde, que será fechada com a construção das estações de Estrela e de Santos e ainda de um túnel com 1956 metros em via dupla. A linha amarela será alterada e passará a funcionar apenas entre Telheiras e Odivelas.

Com esta solução, a nova linha circular verde terá um tempo de espera entre composições de 3 minutos e 50 segundos, inferior aos atuais 5 minutos e 35 segundos. Com a obra concluída vai ser necessário contratar oito maquinistas e 12 operadores comerciais. É esperado um aumento de procura de 8,9 milhões de passageiros por ano.

Novo mapa de rede do Metro de Lisboa a partir de 2023. Informação disponibilizada dia 8 de maio de 2017.

Novo mapa de rede do Metro de Lisboa a partir de 2023. Informação disponibilizada dia 8 de maio de 2017.

Distribuição do investimento

O projeto contará com transferências orçamentais provenientes do Fundo Ambiental, até ao montante de 127,2 milhões de euros, dos quais mais de 15,7 milhões já em 2019. Esta contribuição poderá ser reduzida, no entanto, com o montante arrecado através da venda de um terreno do Metro de Lisboa em Sete Rios.

Contará igualmente com financiamento por fundos europeus no âmbito do POSEUR até 83 milhões de euros, dos quais cerca de 14 milhões chegarão em 2019.

O Governo diz ainda na mesma resolução que a receita obtida com alienação do património do Metro de Lisboa “pode ser utilizada para reduzir a necessidade de financiamento por parte do Fundo Ambiental”. Não haverá qualquer comparticipação do Orçamento do Estado.

Impactos das obras

Esta obra não tem sido consensual, pelos impactos que pode ter numa zona sensível geologicamente. O estudo de impacte ambiental alerta que será necessário remover grande parte da superfície da Av. 24 de Julho” que foi recentemente alvo de uma intervenção.

O túnel entre o Cais do Sodré e Santos vai ser executado em vala a céu aberto ​(no cruzamento entre a Av. Dom Carlos I e a rua Calçada Marquês de Abrantes até ao edifício da EDP, na 24 de Julho), prevendo-se que os imóveis nas imediações das obras sejam afetados com “poeiras, gases e lamas”.

Segundo a informação disponibilizada no site do Metropolitano de Lisboa, a estação da Estrela servirá uma parte da cidade “primordialmente residencial e que possui uma concentração elevada de serviços de autocarro”, estando prevista a sua localização ao cimo da Calçada da Estrela, na extremidade Sul do Jardim da Estrela.

Já a estação de Santos servirá, além das áreas residenciais, equipamentos como a Assembleia da República, o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) ou o Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing (IADE), bem como áreas nas quais se concentram atividades de lazer e de diversão noturna.

A estação do Cais do Sodré vai ser igualmente remodelada e haverá também intervenções nos viadutos do Campo Grande para ligar as linhas Verde e Amarela.

A Agência Portuguesa do Ambiente emitiu uma declaração de impacto ambiental a avisar que a criação da linha circular poderá pôr em risco vários monumentos nacionais, como o Aqueduto das Águas Livres e o Jardim da Estrela.

O documento indica também que a construção da linha circular obriga a deslocar a linha de comboio entre Santos e Cais do Sodré durante 44 meses. Mas o Metro de Lisboa garante que os passageiros não serão afetados por esta situação: “não haverá quaisquer condicionamentos à circulação”, referiu fonte oficial da empresa.

Expansão para Alcântara

A criação de uma linha circular no Metro de Lisboa vai muito além de um mero prolongamento da rede de metropolitano da capital, entende o primeiro-ministro, António Costa

“O investimento no centro é base para toda a expansão da rede do metro. Não fazia sentido expandir para a periferia sem robustecer o centro da cidade”, referiu o chefe de Governo, durante a sessão pública de abertura do concurso público, que decorreu na estação de Alto dos Moinhos.

“Este é o investimento que melhor estrutura a rede do metro para o curto e longo prazo e conjugação com outros modos de transporte”, acrescentou João Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Transição Energética.

A possibilidade de o metro de Lisboa chegar a novas paragens também foi reforçada pelo presidente da câmara, Fernando Medina. “Não é uma decisão qualquer em termos de expansão. A opção pela linha circular vem estabilizar o mais poderoso instrumento de mobilidade de Lisboa, a partir do qual tudo será possível realizar.”

Fernando Medina manifestou mesmo vontade de levar o metro às Amoreiras e a Alcântara, através da “expansão da linha vermelha”, e ainda a “expansão da linha amarela”, com a ligação entre Telheiras e o Colégio Militar.

João Matos Fernandes lembrou que a Área Metropolitana de Lisboa vai receber 1,1 mil milhões de euros de financiamento comunitário, ao abrigo do próximo programa de financiamento comunitário, para a década de 2020. Destes 1,1 mil milhões, 440 milhões de euros serão destinadas para futuras obras do Metro de Lisboa. E, se o município quiser, a expansão para Alcântara poderá ocorrer mais cedo do que espero inicialmente

“Será a câmara de Lisboa a definir se pretende priorizar a expansão para Alcântara, através da Avenida Infante Santo”, assinalou o governante.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Foto: REUTERS/Rafael Marchante

Portugal entre os países europeus que ficaram mais desiguais

Foto: REUTERS/Rafael Marchante

Portugal entre os países europeus que ficaram mais desiguais

Angel Gurria, secretário-geral da OCDE. Fotografia: EPA/Mario Guzmán

OCDE mais pessimista. Sinais vermelhos para a economia

Outros conteúdos GMG
Metro de Lisboa: Novas estações vão abrir com mais de um ano de atraso