Energia

Mexia diz que tarifa social deve ser paga pelos impostos ou pelos consumidores

António Mexia é o presidente executivo da EDP. Fotografia: Gerardo Santos/Global Imagens
António Mexia é o presidente executivo da EDP. Fotografia: Gerardo Santos/Global Imagens

O CEO da EDP apoiou-se num documento da comissão europeia que diz precisamente que deve ser o Orçamento ou os consumidores a pagar estes custos.

O presidente executivo da EDP, António Mexia, defende que os custos da tarifa social não devem ser pagos pelas elétricas como acontece atualmente, mas sim pelo Orçamento do Estado, através dos impostos, e também pelos restantes consumidores que não sejam considerados vulneráveis.

E até se apoia num documento da Comissão Europeia para suportar esta opinião, o qual chegou mesmo a citar esta tarde na apresentação das contas de 2015.

“Somos totalmente a favor de medidas para os consumidores vulneráveis, que poderão ser oferecidas, de preferência, pelo regime da Segurança Social, ou seja, política social através do Orçamento geral do Estado”, disse, lendo o documento da Comissão Europeia que data de fevereiro de 2015. E acrescentou ainda, lendo a mesma comunicação, que uma outra possibilidade é que “o custo deste regime ser coberto pelos consumidores não elegíveis”.

É por isso que nota, ainda citando o mesmo documento, que é preciso definir bem quem tem acesso a estes benefícios, para que não se sobrecarreguem os restantes consumidores.

O CEO da EDP não disse, contudo, de forma taxativa que as alterações à tarifa social propostas pelo Governo na semana passada – alargamento do número de beneficiários de 110 mil para um milhão e que o custo passe a ser totalmente suportado pelas empresas – vão acabar por ser pagas pelos consumidores. Ao contrário do que disse Nuno Ribeiro da Silva, presidente da espanhola Endesa em Portugal e a segunda elétrica a suportar os custos da tarifa social.

Ainda assim, Mexia deixou bem claro que é isso que defende e até disse ao Dinheiro Vivo, à margem da apresentação das contas, que quanto mais justo se tenta ser, mais ineficácias se introduzem e depois acaba-se a ser injusto.

“O que nós queremos é que o sistema seja eficaz e que ajude só quem precisa de ajuda e neste momento o sistema não é nem eficaz nem justo. Quando os sistemas são ineficientes, nós queremos que eles sejam mais justos e ao introduzirmos coisas que não são eficientes tornamo-nos até mais injustos”, comentou.

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