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Miguel Albuquerque insiste que “preços praticados pela TAP são pornográficos”

Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira. (Fotografia: Lusa)
Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira. (Fotografia: Lusa)

O Governo Regional voltou a queixar-se do serviço prestado pela companhia aérea TAP aos madeirenses e questionou o papel do Executivo.

De nada valeu ao presidente da Comissão Executiva (CEO) da TAP, Antonoaldo Neves, simular no telemóvel viagens Funchal-Lisboa-Funchal. Os argumentos que o CEO utilizou numa audição no parlamento madeirense, no início do mês, sobre as políticas da companhia aérea para com a região autónoma não convenceram o chefe do executivo madeirense. Miguel Albuquerque é peremptório: “Os preços praticados pela TAP são pornográficos”.

“É importante que deixem de brincar com a inteligência dos madeirenses e porto-santenses. Deixem de gozar com aqueles que apenas exigem mobilidade dentro do território nacional de forma acessível e razoável. Neste aspeto, como em outros, a luta continua”, afirmou esta sexta-feira, na abertura da XII Conferência Anual do Turismo, a decorrer na Madeira.

E acrescentou: “Desde janeiro, a TAP cancelou mais de 80 voos para a Madeira por razões operacionais de coisa nenhuma”. As tarifas “são avultadíssimas” e não “módicas” como o CEO da TAP insiste em dizer, continuou, avançando que a companhia aérea arrecadou 21 milhões na Madeira.

Num discurso tenso, Albuquerque apontou baterias para o Governo. “Qual o papel do Estado na TAP e porque é que readquiriu 50% da companhia?”, questiona repetidamente.

“O presidente do Conselho Executivo [da TAP] disse de uma forma taxativa que a Região Autónoma da Madeira, que é parte integrante do território nacional, é igual a qualquer outro destino regular da TAP, europeu ou internacional. Ou seja, o destino Madeira é no contexto atual da companhia do qual o Estado tem 50% do capital apenas orientado para uma estratégia puramente comercial e centrada no lucro”, diz o social-democrata Miguel Albuquerque.

Voltando para o campo político, pediu que o Estado “cumpra o seu papel” e recordou o discurso do Governo, em 2015, aquando da reversão da privatização da companhia aérea. “O Estado deve manter a maioria do capital da TAP, porque não é só uma companhia de aviação. É a garantia da independência nacional, da ligação do nosso território descontínuo e as comunidades emigrantes e um instrumento fundamental para economia portuguesa e para a afirmação da plataforma atlântica de Portugal”, disse, citando o chefe do Governo, António Costa.

O presidente do Governo Regional da Madeira considera que é preciso esclarecer se a TAP está certa ao afirmar que “não está sujeita à prestação de serviço público” para a Madeira, mesmo depois “do Estado ter lá metido 50% do capital”. E volta à carga: “É verdade ou não que este Conselho Executivo nunca recebeu instruções ou qualquer orientação estratégica do Estado para assegurar o princípio da continuidade territorial com as regiões autónomas?”.

*A jornalista viajou a convite da Ordem dos Economistas da Madeira.

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