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Milionário russo lança OPA voluntária sobre dona do Minipreço

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A OPA foi lançada a um preço de 0,67 euros por ação. Valor abaixo dos 3,73 euros que Mikhail Fridman pagou por cada título na última compra.

A Letterone, principal acionista do grupo espanhol Dia, controlada por Mikhail Fridman, lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) voluntária sobre a dona do Minipreço, avança o Cinco Días, esta terça-feira. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários espanhola, o fundo anunciou a sua intenção controlar a cotada espanhola a 100%. Depois da tomada de controlo, o milionário russo pretende avançar com um aumento de capital de 500 milhões de euros.

A OPA foi lançada a um preço de 0,67 euros por ação, um valor acima da cotação de fecho da empresa na última sessão. O Dia encerrou a 42,93 cêntimos, mas esta manhã está a ganhar mais de 70% com a oferta apresentada, tendo mesmo superado já a contrapartida apresentada por Fridman. Chegou a ganhar 72% para 73 cêntimos.

Grafico Dia

É o caráter voluntário da OPA que torna possível oferecer apenas 0,67 euros por título. Em condições normais se um investidor ultrapassa 30% do capital de uma empresa está obrigado a lançar uma OPA, mas ao chamado “preço equitativo”, ou seja, um preço que se calcula com o mais alto que o licitante teria pago pela aquisição de ações durante os 12 meses anteriores ao anúncio da oferta. Por essa via, o preço mais alto que a Letterone pagou foi 3,73 euros, na sua última compra de 14% do capital, a 19 de outubro de 2018. Mas não é esse o valor que a empresa vai pagar por ação. A Letterone argumenta, segundo o El País, que, não tendo ultrapassado a barreira dos 30% e fazendo uma “oferta voluntária”, não está sujeita a essa obrigação.

A OPA dirige-se a 70,9% do capital da empresa, o que equivale a um total de 441.937.819 ações. A concretizar-se, a Letterone desembolsaria 296,1 milhões de euros. Para que a operação siga em frente com esse preço, a lei estabelece que metade dos acionistas (35,4%) tem de estar de acordo. Com esta aprovação, Mikhail Fridman alcança pelo menos 64,5% das ações.

A Letterone admitiu no comunicado que não tinha qualquer acordo sobre a oferta com acionistas ou membros do conselho de administração. A empresa assegurou ainda que não tinha inteção de levar a cabo “um procedimento de venda forçada”, indo seguir aquilo que dita a legislação. Isto significa que, se alcançar 90% dos títulos, poderá adquirir ao preço da OPA os 10% restantes.

Em agosto, o Dinheiro Vivo escreveu que ao ser voluntária, a OPA terá fortes chances de ser bem-sucedida, uma vez que Mikhail Fridman contará com o apoio de alguns dos administradores do grupo espanhol. como Karl-Heinz Holland, ex-CEO do Lidl, e Stephan Du-Charme, líder do grupo russo X5, que foram escolhidos pelo milionário russo.

A cadeia de retalho ainda não realizou comunicados oficiais sobre o assunto. Fontes da empresa, citadas pelos jornais espanhóis, afirmam que para já se mantêm os planos iniciais: apresentar resultados e um plano estratégico nos próximos dias e ainda um aumento de capital de 600 milhões, se será votado em assembleia prevista para março.

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