Milionário russo quer investir 4 mil milhões de dólares na fusão Oi/TIM

Conselho de administração da brasileira Oi, onde a Pharol é o principal acionista com 27,18%, analisa proposta amanhã

A brasileira Oi recebeu uma proposta de até 4 mil milhões de dólares do fundo LetterOne, do milionário russo Mikhail Fridman, para avançar com uma fusão com a Tim Brasil. A operadora controlada pela Telecom Italia já negou estar em conversações, mas as ações da Pharol, que tem 27,18% da Oi, dispararam ontem 13,35%, para 0,382 euros, animadas pela possibilidade de criação de um operador com 44% do mercado brasileiro.

A proposta da LetterOne vai ser analisada amanhã pelo conselho de administração da Oi, sendo que a expectativa é que em novembro, o mais tardar até ao final do ano, avançar com uma proposta concreta junto da Telecom Italia, segundo fontes próximas do processo ouvidas pelo Dinheiro Vivo.

A entrada no fundo controlado por Mikhail Fridman vinha a ser noticiada pela imprensa brasileira. Ontem veio a confirmação: A Oi comunicou ao mercado que o BTG Pactual - mandato pela companhia para definir e concretizar cenários de consolidação no Brasil - tinha recebido da Letter One uma “proposta de exclusividade para potencial transação com o fim específico de possibilitar uma consolidação do sector de telecomunicações no mercado brasileiro envolvendo uma potencial combinação de negócios com a TIM Participações S.A”.

O fundo russo estaria disposto a investir até 4 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros) na companhia, proposta condicionada à fusão da Oi e da TIM, deixando-as melhor preparadas para enfrentar a as concorrentes Vivo (da Telefónica) e Claro (de Carlos Slim). A combinação de negócio criaria um operador com 44% do mercado podendo gerar sinergias de “dezenas de milhões de reais”, segundo fontes ouvidas pelo Dinheiro Vivo. Em novembro de 2014, a Telecom Italia tinha mandato o CEO Marco Patuano para analisar uma possível fusão entre a TIM Brasil e a Oi, na época eram apontadas sinergias na ordem dos 9 mil milhões de euros.

A TIM Brasil voltou a negar estarem a decorrer negociações para a fusão com a Oi, mas fontes ouvidas pelo Dinheiro Vivo afirmam que já houve contactos com a casa mãe, a Telecom Italia, com vista à consolidação no Brasil. Na futura empresa, o objetivo é que não haja uma diluição económica dos atuais acionistas da Oi, apesar de poder haver uma redução na posição societária, nem que nenhum dos operadores detenha uma posição dominante.

A entrada do fundo de Mikhail Fridman é vista como o combustível necessário para a concretização deste objetivo há muito ambicionado pela Oi.“A eventual injeção de capital por um fundo de investimento deverá acelerar o processo de consolidação, que é necessário no Brasil e que ainda não arrancou, provavelmente devido às dificuldades económicas e políticas que o Brasil atravessa”, diz Steven Santos, gestor do BiG. “A desvalorização acentuada do real contra o dólar americano nas últimas semanas deverá ter contribuído para que esta proposta de exclusividade, denominada em dólares americanos, avançasse”, acrescenta.

Uma fusão entre Oi e TIM permitiria não só consolidar no Brasil, como “satisfazer a ambição de internacionalização do grupo tornando-se um dos maiores operadores da América latina”, diz Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB.

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