Greve dos motoristas

Militares chamados ao conflito dos motoristas

Foto: José Carmo/Global Imagens
Foto: José Carmo/Global Imagens

Incumprimento de serviços mínimos levou Governo a concretizar a ameaça da requisição civil

A requisição civil dos motoristas esteve sempre em cima da mesa caso não fossem cumpridos os serviços mínimos decretados pelo Governo para a greve dos motoristas de matérias perigosas. Ao fim do dia, o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Tiago Antunes, anunciou ao país que o Governo “não teve alternativa” e avançou mesmo com a medida. A requisição civil visa, para já, o abastecimento da Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), as bombas do sul do país, a partir de Sines, os aeroportos e as unidades autónomas de gás natural.

A decisão saiu de um Conselho de Ministros Eletrónico, após 19 horas de paralisação, e obriga à publicação de uma portaria, acionando a requisição civil, e de uma outra para definir como serão mobilizados os militares e agentes da PSP e da GNR. Segundo Tiago Antunes, o abastecimento dos postos REPA “não ocorreu nas mesmas condições que no período homólogo”, como definem os serviços mínimos, e no aeroporto de Lisboa foram contabilizadas 25 viagens até às 16 horas, quando deveriam ter sido realizadas 119. A requisição civil será “gradual e progressiva”, adiantou ainda.

Avisos de Marcelo
Pardal Henriques considerou a medida “como um ataque à greve”, porque – defendeu – os motoristas cumpriram os serviços mínimos. “O Governo não esteve aqui (…) estas pessoas saíram para trabalhar, simplesmente fizeram oito e não as 14 ou 15 horas que habitualmente fazem”, defendeu o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas.

Antes de acionar a requisição civil, o primeiro-ministro, António Costa, esteve reunido com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para lhe dar

conta da situação. Após esse encontro, Marcelo Rebelo de Sousa alertou para a “responsabilidade de todos os envolvidos neste conflito entre entidades privadas, na procura de soluções justas, sem sacrificar, de modo desproporcionado os portugueses”.

Guerra de números
A guerra entre o cumprimento ou não dos serviços mínimos estende-se também aos dados da adesão à greve. Os patrões, pela voz da ANTRAM (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias) dizem que a adesão não chegou a 1%, mas os representantes sindicais dos motoristas atiram para 80%.

A ANTRAM, desde o fim da manhã, solicitava ao Governo o recurso à requisição civil, alegando vários incumprimentos.

“Em Sines, temos tudo parado, no aeroporto de Lisboa o incumprimento é de 75% e da Petrogal saíram apenas 48 das 225 cargas previstas”, disse Matias de Almeida, porta-voz da ANTRAM. Já Pardal Henriques falou numa adesão “na ordem dos 80%” e frisou que a greve pode durar um dia, uma semana ou um mês. Desde as 23:59 de 12 de agosto (segunda-feira) que o país está em situação de crise energética, o que permitiu a definição da REPA com 54 postos prioritários e 320 de acesso público.

E se na região do Porto o abastecimento automóvel decorreu ontem sem qualquer dificuldade, nas regiões transfronteiriças, nomeadamente no norte e sul do país, registou-se um forte movimento de carros portugueses para abastecer em Espanha, havendo mesmo notícias de postos esgotados.

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