Coronavírus

Mobile World Congress. Mais de 30 empresas já anunciaram que não vão participar

Um trabalhador com uma máscara deixa o centro de congressos durante os preparativos para a próxima edição do Mobile World Congress, em Barcelona, Espanha. Foto: EPA/ANDREU DALMAU
Um trabalhador com uma máscara deixa o centro de congressos durante os preparativos para a próxima edição do Mobile World Congress, em Barcelona, Espanha. Foto: EPA/ANDREU DALMAU

Organização da feira tecnológica reúne-se de emergência esta tarde para decidir se o evento avança. Cancelamento pode ter impacto de 500 milhões.

A duas semanas do Mobile World Congress, que se realiza em Barcelona, o número de empresas que está a anunciar que não vai participar no evento – devido aos receios de contágio do coronavírus – cresce de dia para dia. As duas mais recentes foram a Nokia e a Deutsche Telekom que vêm assim juntar-se a uma lista que conta já com mais de 30 tecnológicas, entre elas gigantes como o Facebook, Sony, LG, Amazon e Intel.

Em nota de imprensa, a Nokia indica que “tomou a decisão de retirar a participação do MWC 2020 depois de uma extensa avaliação dos riscos ligados à situação em rápida expansão” da propagação do vírus. “O principal foco tem sido a segurança, saúde e bem-estar dos empregados e outros, enquanto também é reconhecida a responsabilidade para com a indústria e os clientes”, justifica a empresa.

“Levámos o tempo necessário para avaliar a situação em rápido desenvolvimento, interagir com a GSMA e com outros stakeholders, consultando regularmente os especialistas externos e autoridades, planeando a gestão de riscos baseado num campo alargado de cenários”. “A conclusão desse processo é a de que acreditamos que a decisão mais prudente seja o cancelamento da participação no Mobile World Congress”. À semelhança de outras tecnológicas, a Nokia indica ainda que está a planear uma série de eventos locais chamados Nokia Live, onde mostrará os produtos que pretendia apresentar ao longo da feira de Barcelona.

Com cada vez mais nomes de peso a cancelaram a sua presença, a organização do evento, a GSMA, convocou uma reunião de emergência para esta tarde às 14 horas (13 horas em Lisboa) para decidir se cancela o evento, de acordo com o El País. Neste encontro vão participar os 26 representantes máximos do organismo, entre eles a Telefónica, Vodafone e Orange. Terá sido a Vodafone e a Deutsche Telekom que terão pressionado mais a GSMA para que a reunião marcada para sexta-feira fosse antecipada para hoje.

Fontes da Reuters, citadas pelo jornal espanhol, indicam que as grandes operadoras mundiais podem lançar ainda esta quarta-feira um comunicado conjunto indicando qual a sua posição oficial.

As empresas que cancelaram a sua participação na MWC 2020 até ao momento, de acordo com o TechCrunch, são: A10 Networks; Accedian; Amazon; Amdocs; AppsFlyer; ARCEP, France’s FCC; AT&T; Ciena; Cisco; CommScope; Dali Wireless; Ericsson; F5 Networks; Facebook; Gigaset; iconectiv; Intel; InterDigital; Interop Technologies; KMW Communications; LG; McAfee; MediaTek; Nokia; NTT Docomo; Nvidia; Radwin; Rakuten Mobile; Royole Corporation; Sony; Spirent; Sprint; Ulefone; Umidigi; Viber; Vivo.

Cancelamento pode ter impacto de 500 milhões
Numa altura em que o cenário de cancelamento do evento parece ganhar cada vez mais força, já começam a ser feitas contas. E a não realização de um dos grandes eventos de tecnologia do mundo pode ter um impacto de 500 milhões de euros para a cidade de Barcelona, segundo o jornal Cinco Días.

O que levanta uma questão: quem assume e como é que são repartidos os custos associados ao cancelamento? Fontes do setor dizem ao jornal que “haverá uma guerra pelas indemnizações dos seguros”. Por outro lado, outras fontes avançam que se a organização suspender o evento este ano pode ficar a braços com a obrigação de pagar a fatia de leão das indemnizações.

Ainda assim, explicam, que se são os participantes que cancelam por sua própria iniciativa a sua participação, têm de ser as empresas a suportar os custos associados aos serviços e espaços contratados.

O El País acrescenta ainda que os seguros não cobrem uma contingência como a causada pelos receios de contágio do coronavírus, nomeadamente quando ainda não foi declarado um alerta sanitário.

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