Retalho Alimentar

Moçambique. Supermercados onde Sonae era acionista encerram

Maputo   REUTERS/Grant Lee Neuenburg/File Photo
Maputo REUTERS/Grant Lee Neuenburg/File Photo

Soane operava neste mercado desde 2016. Sociedade, onde o grupo português detinha 30%, avançou com pedido de insolvência

Os três supermercados Central que a Sonae tinha em Moçambique através da sociedade S2 África, onde era acionista minoritário (30%), encerraram depois da “degradação das condições económicas” do país e da “redução do poder de compra das famílias”. A sociedade avançou com pedido de insolvência, depois de a Sonae não ter conseguido “reverter a decisão do acionista maioritário de deixar de financiar o plano de negócios da empresa”. Sonae estava em Moçambique desde 2016.

“A S2 África, sociedade detida em 70% pela Satya Capital e onde a Sonae detinha 30%, decidiu encerrar as três lojas em Moçambique, em resultado da degradação das condições económicas verificadas e da redução do poder de compra das famílias com impacto negativo sobre situação económico-financeira da Sociedade”, reagiu fonte oficial da Sonae quando contactada pelo Dinheiro Vivo.

“Contrariamente ao que seriam os desejos dos acionistas, não se prevê, apesar de todos os esforços envidados pela Sociedade junto dos financiadores e outros parceiros comerciais, que venham a ser atingidos os níveis necessários para que a presente decisão pudesse vir a ser revertida”, refere ainda a mesma fonte do grupo dono do Continente.

A sociedade avançou com um pedido de insolvência, depois de, segundo o edital citado pela agência Lusa que noticiou o encerramento, terem sido feitas várias negociações “com potenciais interessados para a aquisição do negócio da sociedade, no entanto, nenhuma oferta foi efetivamente feita, sendo as razões para tal apresentadas ligadas essencialmente aos elevados custos operacionais fixos da mesma, face à atual situação económica do país.”

Sonae disposta a manter operação em Moçambique. Acionista maioritário, não

Uma presença no mercado africano é algo para o qual a Sonae olha com bons olhos. Há muito que o grupo pretende entrar em Angola e chegou a ter uma parceria com Isabel dos Santos para abrir supermercados Continente neste mercado, que não se chegou a concretizar, tendo a empresária avançado com os supermercados Candando.

Aliás, a saída de Moçambique contraria a vontade do acionista minoritário, garante a Sonae.

“O processo de insolvência resulta da impossibilidade de reverter a decisão do acionista maioritário de deixar de financiar o plano de negócios da empresa, não obstante termos sempre manifestado a nossa disponibilidade para continuar a financiar a nossa quota parte. Enquanto acionista minoritário, num cenário de cash flows negativos, não nos é possível impedir o desfecho de insolvência da empresa”, refere fonte oficial Sonae ao Dinheiro Vivo.

Face a este desfecho, pouco mais de dois anos de iniciar atividade neste mercado, o grupo português equaciona regressar a Moçambique, com novos parceiros, com controlo acionista? A Sonae não quis comentar, nem adiantou qual o impacto que este encerramento poderá vir a ter nos objetivos de internacionalização da companhia no que toca à área de distribuição alimentar.

A Sonae entrou em Moçambique em 2016, em parceria com a Satya Capital, com a compra na época de duas lojas Extra, detidos pelo grupo moçambicano ADC. Um investimento de mais de 6 milhões de dólares, montante partilhado entre os acionistas da S2 África, noticiou o Público na altura.

(noticia atualizada às 20h24 com novo comentário da Sonae clarificando posição do grupo sobre o encerramento da operação em Moçambique)

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