Montepio revê em baixa o lucro de 2017 para 6,4 milhões

O Caixa Económica Montepio Geral reviu as suas contas de 2017, tendo corrigido em baixa o seu lucro líquido para 6,4 milhões de euros.

O Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) retificou as suas contas de 2017, tendo efetuado uma forte revisão em baixa do seu lucro líquido para 6,4 milhões de euros, disse Carlos Tavares, presidente executivo e chairman do banco.

A anterior gestão do Montepio liderada por José Félix Morgado tinha reportado, em fevereiro deste ano, um lucro de 30 milhões de euros contra um prejuízo de 86,5 milhões de euros em 2016.

O novo conselho de administração do banco entrou em funções no dia 21 de março.

"O mais relevante foi o ajustamento nas imparidades que se deveu à avaliação que fizemos em conjunto com a comissão de auditoria e auditores de alguns dossiês de crédito, numa ótica de prudência acrescida do provisionamento", afirmou Carlos Tavares num encontro com a imprensa.

Entre as alterações, o banco da Montepio Geral Associação Mutualista reviu em alta o valor das imparidades de crédito de 138 milhões de euros antes para 160,7 milhões de euros. Também subiu as imparidades para outros ativos financeiros de 6,7 milhões de euros para 7,8 milhões de euros. Quanto às imparidades para outros ativos, passaram de 11,7 milhões de euros para 12,6 milhões de euros.

A margem financeira foi revista em alta de 263,9 milhões de euros para 266,2 milhões de euros. O produto bancário ficou inalterado em 505 milhões de euros.

Lembrou que o banco não tem ativos tóxicos nem derivados complicados e destacou o bom nível de liquidez da instituição e o facto de não haver riscos significativos na carteira do banco.

Em termos de futuro, Carlos Tavares afirmou que a recuperação de créditos e a venda de imobiliário são os principais objetivos do banco.

Mas o presidente do CEMG garante que o banco tem rácios de capital "confortáveis" e não precisa de capital adicional. O banco planeia fazer uma emissão de dívida subordinada de 250 milhões de euros no terceiro trimestre deste ano.

Em termos de empresas do banco, Tavares quer manter o banco de investimentos, com um novo nome, e vai concentrar todo o crédito especializado na Montepio Crédito.

Quanto às participações em bancos africanos - Banco Terra e Finibanco Angola -, a intenção do CEMG é deixar de consolidar aquelas participações ainda durante 2018, estando na mesa a venda das mesmas.

Segundo Carlos Tavares, o CEMG está avaliado em 1.878 milhões de euros, em termos líquidos, no balanço da Associação Mutualista. O valor bruto atinge os 2.376 milhões de euros, a que há que retirar imparidades de 498 milhões de euros.

O presidente executivo do CEGM reiterou que o valor do banco não é comparável com a avaliação de bancos cotados, como o Millennium bcp ou o BPI, expressos na sua capitalização bolsista. Até porque os bancos cotados estão a negociar a valores abaixo do seu valor real.

Sobre a eventual entrada de novos acionistas como esteve prevista, com a entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Carlos Tavares remeteu o tema para o acionista.

A Santa Casa congelou a sua entrada como acionista para o CEMG.

Mas Tavares defende que o banco tenha mais do que um acionista. "É útil que uma sociedade anónima tenha vários acionistas. É bom que qualquer acionista tenha o dever de prestar contas a outro acionista."

Também é a favor de que o CEMG seja um banco da economia social e afirmou que o Montepio deve ter uma participação "tão forte quanto possível em instituições da economia social".

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