Morreu o dono da Nutella e dos Ferrero Rocher

Michele Ferrero era conhecido pelas boas condições que dava aos empregados
Michele Ferrero era conhecido pelas boas condições que dava aos empregados

Michele Ferrero, "o fabricante de doces [candyman] mais rico do planeta", como lhe chamou a revista Forbes, morreu este sábado, aos 89 anos, na sua casa em Monte Carlo.

Era dono do grupo que fabrica o creme de chocolate e avelã Nutella, os bombons Ferrero Rocher e Mon Cheri, os chocolates Tic-Tac e os ovos Kinder, considerado pelos analistas e banqueiros como a empresa privada mais valiosa de Itália. Um império avaliado em 23,4 mil milhões de dólares (cerca de 20,5 mil milhões de euros).

O presidente italiano Sergio Mattarella, num telegrama enviado à família, afirma que recebeu com emoção a notícia da morte de Michele Ferrero, a quem reconhece pelo seu “espírito empreendedor, conhecido e admirado na Itália e no exterior”.

A morte de Michele Ferrero deverá agora acelerar o debate sobre as possíveis alianças do grupo, que tem continuado a crescer apesar de a Itália viver a mais longa recessão desde a II Guerra Mundial. O filho de Michele, Giovanni, chefe executivo do grupo Ferrero, recusou, no final de 2013, as abordagens do gigante suíço Nestlé e garantiu que a Ferrero não estava à venda.

Michele nasceu em Dogliani, na região de Piemonte, a 60 km de Turim, a 26 de abril de 1926. Aos 31 anos herdou a fábrica fundada pelo pai Pietro, que começou a fabricar um creme de barrar a partir de avelãs, a que chamou Nutella, quando o cacau começou a ser racionalizado durante a II Guerra Mundial. Homem de poucas palavras que evitava os holofotes, Michele Ferrero expandiu o grupo e transformou a pequena fábrica de chocolate num gigante global, com produtos famosos em todo o mundo.

Casado com Maria Franca Fissile, Michele era conhecido por administrar a Ferrero com mão de ferro, mas também era adorado pelos funcionários pelas boas condições de trabalho da empresa e pela sua generosidade com a comunidade local.

Em 1997, passou os destinos do grupo Ferrero para as mãos dos seus filhos Pietro e Giovanni. O mais novo, Giovanni, acabou por tornar-se diretor executivo da empresa, depois da morte inesperada do irmão mais velho, vítima de um ataque cardíaco durante umas férias na África do Sul, em 2011.

Até há poucos anos, Michele Ferrero viajava diariamente de helicóptero entre Monte Carlo e a sede da Ferrero, na pitoresca cidade de Alba (nordeste de Itália), para provar e ajudar a desenvolver novos produtos.

Ferrero foi “durante muitos anos uma figura de destaque da indústria italiana. A Itália lembra com gratidão por seu trabalho de apoio e promoção da cultura”, conclui o presidente italiano.

A Ferrero é hoje um dos maiores grupos de confeitaria do mundo, presente em 53 países com mais de 34 mil funcionários. A revista Forbes considerou-o o homem mais rico de Itália, à frente de Berlusconi, e o 30º na lista das pessoas mais ricas do mundo

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