Coronavírus

Recrutamento. Mundo das entrevistas vira-se para o digital

sala de conferência, videoconferência,
Fonte: Pixabay

Com o vírus na equação, os principais players da área do recrutamento estão a tomar medidas para conter a propagação do vírus.

A experiência normal de uma entrevista de trabalho passa por uma deslocação, apertos de mão e diálogo. Com o vírus na equação, os principais players da área do recrutamento estão a tomar medidas para conter a propagação do vírus. Além da possibilidade de trabalho remoto, também estão a ser adotadas novas formas de recrutar, que não implicam contacto presencial.

“A entrevista presencial passará a ser excepção e não a regra”, indica Inês Veloso, diretora de marketing e comunicação da Randstad Portugal. A empresa já tinha uma plataforma de entrevistas online, chamada VIDA (Video Interview Digital Access), que, em tempos de coronavírus, ganha peso no recrutamento. “Não nos faz sentido continuar a pedir às pessoas para vir a entrevistas à Randstad. Vamos continuar a ter algumas excepções, porque há candidatos que podem não ter acesso a tecnologia e não consigam fazer a entrevista à distância – e não faz sentido bloquear essa possibilidade.”

Também a Adecco tem optado por outras formas de contactar com possíveis candidatos, com Carla Rebelo, diretora-geral da Adecco Portugal, a reconhecer que o vírus tem trazido alterações ao dia-a-dia desta área de negócio. “Temos procurado implementar soluções para a realização de entrevistas, como o uso de videoconferência e Skype, e, internamente, sempre que possível, consideramos a opção de colocar colaboradores em homeoffice”.

Com o vírus a ter impacto em várias áreas de negócio e empresas multinacionais a deixar avisos sobre lay-off ou encurtar das receitas, surgem as dúvidas sobre a travagem nos projetos de recrutamento. Para já, a Manpower Group explica que, “dada a volatilidade da situação, ainda é cedo para determinar o impacto” do vírus neste setor. Paula Baptista, da Hays Portugal, refere que também que ainda não sente “um abrandamento nos processos, mas é muito cedo para chegar a esta conclusão”. Também a Hays está a recorrer “ao contacto através das plataformas digitais”.

Já a Mercer indica que o plano de recrutamento que tinha traçado para 2020 pode mudar com o surto. “Para os processos em curso, iremos manter os pressupostos que estão combinados com os candidatos e estamos a dar seguimento”, explica Tiago Pimentel, head of marketing and communications da empresa. Já para os processos a iniciar, “vamos fazer um freeze devido ao período de incerteza que estamos a viver e pela nossa prioridade atual que é de salvaguardar a saúde das pessoas que trabalham connosco”. A Mercer considera que “seria imprudente estar a avançar com processos de recrutamento sem reunir as condições necessárias para assegurar os programas de entrada que temos definidos”, preferindo aguardar “até que tudo esteja mais calmo para retomar processos”.

Inês Veloso indica que, por enquanto, ainda não foram sentidos cancelamentos de processos de recrutamento. “Estamos um pouco mais cautelosos, mas o business as usual mantém-se, mas é mais difícil de prever”. Ainda assim, a responsável refere que “as crises são sempre oportunistas”. “Temos alturas em que temos call center e, alguns clientes, vamos imaginar, agências de viagens ou as próprias empresas com eventos organizados podem muitas das vezes criar linhas de apoio para as pessoas saberem se têm reembolso ou não; portanto, há sempre negócios que crescem, porque pode haver picos.”

Se as entrevistas transitam para os canais digitais, não se pode dizer o mesmo sobre a área dos eventos, principalmente das feiras de emprego. Alinhando com as recomendações da DGS, têm-se sucedido o cancelamento de vários eventos, incluindo feiras de emprego, muitas delas realizadas em universidades, entretanto encerradas. “Existe alguma contenção ou até cancelamento, de por exemplo job fairs, de acordo com a recomendação do governo”, explica a Hays Portugal.

“Todos os eventos que tínhamos previsto entrar foram todos cancelados”, afirma a Randstad. “Neste momento, tudo o que seja feiras de emprego ou conferências de recursos humanos foi tudo cancelado ou adiado”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
coronavirus turismo turistas

ISEG. Recessão em Portugal pode chegar a 8% este ano

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. JOÃO RELVAS/LUSA

Pedidos de lay-off apresentados por 33.366 empresas

coronavirus lay-off trabalho emprego desemprego

Rendimento básico incondicional? “Esperamos não ter de chegar a esse ponto”

Recrutamento. Mundo das entrevistas vira-se para o digital