Mutualista Montepio com prejuízo consolidado de 86 milhões em 2020

Contas consolidadas de 2020 da Associação Mutualista Montepio voltam a levantar "reservas" ao auditor.

A Associação Mutualista Montepio teve um prejuízo consolidado de 86 milhões de euros em 2020, após um lucro de nove milhões de euros em 2019, penalizado pelas perdas de 81 milhões de euros do Banco Montepio, foi divulgado esta quarta-feira.

"Em 2020, o resultado líquido consolidado do MGAM [Montepio Geral Associação Mutualista] foi negativo, em -86 milhões de euros, valor muito superior aos -18 milhões de euros registados em base individual", lê-se no Relatório e Contas Consolidadas de 2020, disponibilizado hoje no 'site' da mutualista e que vai ser votado em Assembleia Geral Extraordinária no próximo dia 30.

Segundo a mensagem do presidente da mutualista, Virgílio Lima, tal deveu-se, "sobretudo, aos efeitos extraordinários do contexto pandémico nos resultados consolidados do Banco Montepio, que atingiram -81 milhões de euros, designadamente, por via dos montantes extraordinários de imparidades de crédito constituídas, entre outros efeitos adversos".

Considerando o resultado líquido do exercício atribuível ao MGAM, o prejuízo ascende aos 89 milhões de euros em 2020, o que compara com seis milhões de euros de lucro no ano anterior.

A Associação Mutualista Montepio Geral vai a votos em 17 de dezembro, estando na corrida à liderança da associação quatro listas concorrentes, uma das quais encabeçada pelo presidente Virgílio Lima e três de oposição à atual gestão.

De acordo com o relatório e contas da mutualista, "o Grupo Banco Montepio, pela sua dimensão, detém um papel determinante na expressão e evolução das contas consolidadas do MGAM, representando 86% do balanço consolidado em 2020".

No ano passado, o resultado líquido consolidado do Banco Montepio atribuível aos acionistas atingiu -81 milhões de euros, face ao lucro de 22 milhões de euros reportado em 2019, "determinado, fundamentalmente, pelo maior nível de imparidades constituídas para riscos de crédito, na sequência da revisão em baixa do cenário macroeconómico associado aos impactos da pandemia de covid-19 nos agentes económicos, quer nos particulares, quer nas empresas, bem como pelos custos não recorrentes relacionados com as medidas de ajustamento do quadro de colaboradores e de redimensionamento da rede de balcões".

À semelhança do ano anterior, o auditor manifestou "reservas" às contas do grupo, considerando que os resultados consolidados estão "sobreavaliados por um montante materialmente relevante".

Contas consolidadas de 2020 da Associação Mutualista Montepio voltam a levantar "reservas" ao auditor

A auditora PwC manifesta "reservas" às contas consolidadas hoje divulgadas pela Associação Mutualista Montepio Geral, considerando que os ativos por impostos diferidos, os capitais próprios e o resultado líquido estão "sobreavaliados por um montante materialmente relevante".

"Na nossa opinião, os ativos por impostos diferidos, os capitais próprios e o resultado líquido consolidado do exercício atribuível ao Grupo, constantes do balanço consolidado e da demonstração dos resultados consolidados do Grupo em 31 de dezembro de 2020 e em 31 de dezembro de 2019, encontram-se sobreavaliados por um montante materialmente relevante, a magnitude do qual não estamos em condições de quantificar, dada a incerteza inerente às projeções dos resultados tributáveis do Montepio Geral -- Associação Mutualista", refere a PWC.

Segundo se lê no relato sobre a auditoria das demonstrações financeiras consolidadas, anexo ao relatório e contas de 2020, "tendo por base as projeções apresentadas pela Administração e as condições previstas" na norma internacional de contabilidade IAS12, "o Montepio Geral -- Associação Mutualista não demonstra capacidade para gerar resultados tributáveis suficientes que permitam recuperar parte substancial dos ativos por impostos diferidos registados nas suas demonstrações financeiras individuais".

Associação Mutualista Montepio vai a votos a 17 de dezembro

A Associação Mutualista Montepio Geral vai a votos a 17 de dezembro, devendo participar nas eleições para o quadriénio 2022-2025 quatro listas, uma das quais liderada pelo atual presidente Virgílio Lima e três de oposição.

A convocatória para a Assembleia Geral Eleitoral foi hoje divulgada no 'site' do Montepio Geral - Associação Mutualista (MGAM), estando a reunião magna agendada entre as 09:00 e as 18:00 na sede da associação, em Lisboa.

Segundo se lê no documento, "são aceites listas de candidaturas nos 30 dias subsequentes à publicação da presente convocatória, ou seja, até ao dia 15 de outubro de 2021, devendo os candidatos ao Conselho de Administração e Conselho Fiscal ter obtido registo prévio junto da ASF [Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões] até essa data".

O direito de voto pode ser exercido presencialmente por meios eletrónicos à distância (a partir do quinto dia anterior à data da Assembleia Geral Eleitoral, ou seja, de 13 a 17 de dezembro) ou por correspondência postal ("mediante expressa solicitação do associado" manifestada nos 30 dias subsequentes à publicação da convocatória, ou seja, recebida até ao dia 15 de outubro".

As eleições para a Associação Mutualista Montepio Geral deverão contar com quatro listas concorrentes, sendo uma liderada por Virgílio Lima, presidente do Conselho de Administração, e três de oposição à atual gestão.

Fonte oficial da candidatura de Virgílio Lima disse à agência Lusa que este é candidato a presidente do Conselho de Administração nas eleições de dezembro, depois de em 2019 ter substituído Tomás Correia, que saiu da mutualista na sequência de processos de contraordenação.

Também hoje, a autodesignada 'lista de quadros' disse que Pedro Gouveia Alves é o seu candidato a presidente do Conselho de Administração, depois da desistência por motivos pessoais de João Vicente Ribeiro, anterior cabeça de lista proposto.

Quando Tomás Correia era presidente da mutualista, Pedro Gouveia Alves era muito próximo do gestor.

Na semana passada, o Jornal Económico noticiou que o ex-presidente da mutualista Tomás Correia não apoia a candidatura de Virgílio Lima, mas também recusou, em declarações ao jornal, que dê apoio a qualquer qualquer candidatura.

Além destas listas deverá haver mais duas, que tentaram uma lista unitária, mas as conversações falharam.

Uma das listas tem o economista Eugénio Rosa (ligado ao PCP e que nos últimos anos fez oposição à administração) como candidato a presidente do Conselho de Administração. Como vogais executivos da administração são candidatos Tiago Mota Saraiva, Joaquim Dionísio, Inácia Moisés e António Couto Lopes, segundo disse à Lusa fonte da lista.

A ex-deputada do BE Ana Drago integra esta lista, mas concorrendo para a Assembleia de Representantes.

Ao Conselho Fiscal concorrem, por esta lista, António Rosa Zózimo (após a recente morte de Martins Correia), Hélder Nora e Rogério Moreira.

Por fim, a outra lista será liderada pelo professor universitário Pedro Corte Real, confirmou hoje o próprio à Lusa.

Esta lista conta com o apoio de nomes como Fernando Ribeiro Mendes e Miguel Coelho.

Apesar de as eleições serem apenas em dezembro, as listas tiveram de ser enviadas à Autoridade dos Seguros e Fundos de Pensão (ASF) antes de agosto para o regulador avaliar os nomes (desde logo a idoneidade) e fazer o seu registo.

Segundo informações recolhidas pela Lusa, a ASF ainda está a fazer esse trabalho de registo.

A Associação Mutualista Montepio Geral tem quase 600 mil associados e é o topo do grupo Montepio, em que se inclui o Banco Montepio.

As eleições de dezembro vão eleger o Conselho de Administração, o Conselho Fiscal, a Mesa da Assembleia-Geral e a Assembleia de Representantes (o novo órgão social da mutualista que substitui o Conselho Geral, ao abrigo dos novos estatutos).

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