N.º 2 de Granadeiro sai da PT Portugal mas fica na PT

Luis Pacheco Melo, CFO PT
Luis Pacheco Melo, CFO PT

Luís Pacheco de Melo deixou os cargos que ocupava na PT Portugal e na Africatel. Mas mantém-se como número dois de Henrique Granadeiro na Portugal Telecom SGPS, a entidade que comprou 897 milhões de euros de papel comercial da Rioforte, confirmou o Dinheiro Vivo.

O CFO é uma das pessoas da equipa que está a negociar uma solução para este negócio, que levou as ações da PT a mínimos históricos e está a gerar tensão junto dos acionistas brasileiros da Oi. Na terça feira, a Rioforte vai ter de pagar os primeiros 847 milhões, mas já é dado como praticamente certo que a empresa do Grupo Espírito Santo (GES) não vai ter capacidade financeira para assegurar esse montante, dados os problemas de liquidez que enfrenta, aguardando-se um plano de reestruturação do grupo.

Essa possibilidade é, de resto, admitida pelo Conselho de Administração da PT. Este órgão “está fortemente comprometido em trabalhar com a PT e a Oi para encontrar soluções para um eventual possível incumprimento”, disse Rafael Mora, da RS Holding (que detém 10,05% da PT). Em declarações ao Dinheiro Vivo, depois da primeira reunião onde o Conselho ouviu Henrique Granadeiro explicar este negócio com uma empresa do GES, acionista da PT. Sobre as soluções a serem negociadas com o GES e com a Oi não foram avançados pormenores.

Leia aqui o que dizem os analistas sobre o impacto desta operação na fusão

Mas, para “evitar o impacto dramático de um incumprimento com a PT”, a Rioforte poderá trocar o papel comercial (aplicação a curto prazo) por “obrigações com vencimento mais alargado”, diz Steven Santos. Ou, acrescenta o analista da XTB, “num cenário mais desfavorável”, converter o papel comercial em ações da Rioforte – o que aumentaria a exposição da PT ao GES e “o risco de liquidez”. O objetivo seria atenuar o impacto desta operação no processo de fusão em curso entre a PT e a Oi.

O acionista Rafael Mora diz que o Conselho de Administração da PT está “firmemente comprometido em concluir a fusão com a Oi”. Mas, a haver default, isso poderá ter impacto na participação da PT na CorpCo e, “provavelmente, implicar um adiamento na data de conclusão” da fusão, alerta Albino Oliveira, da corretora Fincor. Até aqui, o calendário apontado pelas empresas para a conclusão da fusão é o quarto trimestre, mas a brasileira Valor Econômico cita um relatório do BBVA que aponta que a fusão poderá ser adiada para o próximo ano.

Concluída a fusão, a PT iria ficar com 37% da CorpCo. Mas havendo default de cerca de 900 milhões – metade do valor com que foram avaliados os ativos da PT no âmbito da fusão -, a participação poderá ser reduzida para 20%, noticia a imprensa brasileira. Ou seja, menos do que a PT detinha na Oi antes da fusão. “Se a Oi deixar que a PT assuma a totalidade da penalização resultante de um eventual incumprimento, a divisão entre as empresas fica vincada e poderá criar-se desconfiança entre os administradores, afastando investidores que poderiam estar interessados em comprar o gigante lusófono de telecomunicações”, diz Steven Santos.

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