Na ex-refinaria de Matosinhos há solução para empresas baixarem poluição das frotas

GoWithFlow tem a Galp como maior acionista e criou uma plataforma para lidar com toda a complexidade dos automóveis sem emissões.

Parece mais um edifício cinzento com dois andares como tantos outros na antiga refinaria de Matosinhos. Mas perto de uma das entradas está instalada, no rés-do-chão, a GoWithFlow. A tecnológica criou uma plataforma para entidades que gerem frotas, como empresas e municípios, poderem entrar no mundo dos carros com baixas emissões sem lidarem com as complicações nos consumos e a ansiedade de encontrar um carregador.

"As empresas que acabaram de aderir à mobilidade elétrica estão a começar a sofrer as dores da transição. Têm de lidar com diferentes tipos de veículos: ao mesmo tempo que verificam os consumos de eletricidade têm de perceber quanto estão a gastar de gasolina ou gasóleo. É uma passagem de um ambiente muito simples para um universo complexo, com grandes desafios, onde a nossa ajuda é necessária", explica ao Dinheiro Vivo a líder da tecnológica, Jane Hoffer.

Com a solução portuguesa, as gestoras de frotas podem perceber, por exemplo, como tirar melhor partido dos híbridos plug-in, que combinam o motor de combustão interna com uma tomada exterior de carregamento. A solução também inclui os carros totalmente elétricos.

"Num grupo de carros, poderemos ter um plug-in a gastar 100 ou 150 euros por mês e outra a custar 20. As empresas precisam de perceber o que se passa: há condutores que limitam-se a pôr gasolina ou gasóleo enquanto outros esforçam-se por conduzir com o modo elétrico", exemplifica o responsável tecnológico, André Dias, junto a uma mão cheia de carregadores.

A GoWithFlow criou uma plataforma de gestão da mobilidade sustentável, que combina dados de veículos em tempo real com a análise a partir da inteligência artificial. Juntando os dois elementos, a tecnológica disponibiliza cinco opções para as empresas lidarem com a transformação da mobilidade.

Para começar, pode ser definido um plano para utilizar a frota da maneira mais sustentável possível. Na etapa seguinte, fazem-se as contas para perceber como é que uma empresa pode rentabilizar os próprios postos de carregamento.

No passo três, entra em cena a ferramenta de gestão de frota, que vai medir a redução das emissões de dióxido de carbono. Neste cenário, também podem ser incluídas opções de partilha de veículos entre os funcionários, assim como meios de transporte como trotinetas e bicicletas.

Caso seja necessário, as empresas também podem combinar os veículos que têm na garagem com outras opções de deslocações. Transportes públicos, carros partilhados táxis, TVDE e serviços a pedido são algumas opções que podem complementar a frota disponível em determinados momentos.

A tecnologia nascida a partir de Matosinhos também permite aos clientes criarem programas de fidelização, podendo gerir pagamentos, faturação e perfis de utilizadores para que o negócio seja rentável.

Além de Portugal, a GoWithFlow também conta com escritórios para as equipas de vendas em Espanha e no Reino Unido. Ajudar as empresas e gestoras de frota de todo o mundo a aderirem à nova realidade das deslocações é a principal missão para os próximos anos.

A antiga refinaria alberga os perto de 70 elementos da empresa. O espaço foi cedido pela Galp, que tornou-se a maior acionista do projeto no final de 2019, depois de quase dois anos de negociações com o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA). Mais do que uma petrolífera, a companhia quer afirmar-se como uma verdadeira energética e reduzir a pegada carbónica.

A GoWithFlow quer aproveitar a diminuição da atividade da empresa e apresentou um plano para montar um laboratório: "Queremos criar um ambiente de testes e de demonstração, aproveitando o parque de estacionamento. Poderemos criar protótipos e mostrar casos de utilizadores", revela André Dias.

Também está na mira da tecnológica ocupar o segundo andar do edifício cinzento. Resta saber quais serão os planos da Galp para o complexo de Matosinhos, também ele a braços com uma transição que o governo desejaria justa.

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