Smart Open Lisboa

“Não comece pela tecnologia, comece pelo problema”

Raphael Stanzani, cofundador da Connect Robotics.  FOTO: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Raphael Stanzani, cofundador da Connect Robotics. FOTO: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

A startup foi vencedora da última edição do Smart Open Lisboa, criou um software que permite que um drone voe sozinho, sem precisar de piloto remoto.

Um dos conselhos que Raphael Stanzani, business director da Connect Robotics, empresa que faz software e sistemas de gestão de tráfego aéreo para drones, deixa a futuros empreendedores, é que não devem começar pela tecnologia, mas sim pelo problema. Ou seja, devem identificar o que precisa de ser feito para dar resposta às necessidades do cliente e quantificar os benefícios da sua solução.

Como é que o seu produto ou serviço vai melhorar a vida de quem o vai utilizar? Esta é a pergunta a fazer primeiro, antes de passar ao desenho da solução ou do produto. “Não se apaixone pelo produto. Apaixone-se pelo problema”, recomenda o gestor industrial brasileiro de 29 anos, que, além dos drones, também se apaixonou por uma portuguesa. É que, segundo este fazedor que veio do Brasil há cinco anos para casar e juntar-se ao projeto de doutoramento de Eduardo Mendes, “o produto e a tecnologia vão mudar sempre que conversar com o cliente.”

No caso da empresa que ajudou a fundar em 2015 no Porto, o problema era a necessidade sentida por hospitais, laboratórios de análises e farmácias em ter acesso a um transporte mais rápido e mais barato através de drones. Assim, instalados na incubadora da Universidade do Porto, criaram um software que permite que o drone voe sozinho, sem precisar de um piloto remoto, e uma plataforma centralizada de gestão para estarem ligados ao drone e assim obterem informações em tempo real.

O serviço de transporte com drones autónomos oferecido pela Connect Robotics permite que em 15 minutos uma encomenda esteja no destino e volte à origem, percorrendo uma distância de cinco quilómetros sem necessidade de recarregar a bateria. Como se trata de um drone, não apanha trânsito e voa por cima de barreiras naturais. Por exemplo, “uma farmácia pode abastecer um lar de idosos com maior velocidade, mesmo em regiões rurais, o médico pode receber o medicamento durante a consulta com o utente e ensiná-lo como administrar o medicamento e um hospital pode enviar amostras de sangue para análise imediatamente após serem coletadas, reduzindo o tempo de espera de um paciente em radioterapia”.

Ter participado do Smart Open Lisboa, que junta startups com empresas, e ter sido uma das empresas vencedoras na última edição deste programa de inovação aberta, abriu-lhes portas. A oportunidade dada pela consultora em inovação Beta-i, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, permitiu à startup universitária ouvir potenciais clientes e aprimorar a sua proposta de valor. Aliás, ir aos clientes nunca é fácil para Raphael Stanzani: “Nunca achamos que estamos prontos para isso”, desabafa. No seu caso, ajudou o convívio com outras startups.

Mas, entre os desafios de quem cria um projeto de raiz, o financiamento é o mais difícil. No início, os dois sócios investiram 20 mil euros de capital próprio para manter os seus ordenados e o espaço no coworking. Depois conseguiram um investimento do Fiware, um projeto europeu de internet das coisas, no valor de 100 mil euros, em que 75% era a fundo perdido, e ainda 50 mil euros do centro de incubação da Agência Espacial Europeia em Portugal, o The ESA Business Incubation Centre (BIC), para dois anos de projeto. Neste momento preparam-se para uma ronda de capital semente.

Hoje têm três drones operacionais e uma equipa de três pessoas que está a fazer testes de transporte de amostras de sangue da Fundação Champalimaud para um laboratório de análises, em Lisboa, e ainda a criar um manual para operador de drones de acordo com o regulamento da Autoridade Nacional de Aviação Civil.

No futuro, em 2018 e 2019, querem estar a trabalhar numa aeronave híbrida, em que metade é helicóptero, para permitir descolar e aterrar na vertical em apenas dois metros de espaço, e a outra metade avião, para alcançar distâncias maiores através das asas. E têm uma visão: “Queremos operar rotas de transporte em zonas rurais e urbanas, entre hospitais e laboratórios, entre farmácias e lares e entre distribuidores e retalhistas”, diz o empreendedor, defendendo que o serviço de transporte por drone pode, em muitos casos, ficar mais barato para as organizações do que o recurso a um operador logístico ou estafeta.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Fotografia: REUTERS/Brendan McDermid

Principais bancos em Portugal vão continuar a reduzir exposição ao imobiliário

Fotografia: REUTERS/Brendan McDermid

Principais bancos em Portugal vão continuar a reduzir exposição ao imobiliário

SaudiAramco

Petrolífera Aramco consegue maior entrada em bolsa da história

Outros conteúdos GMG
“Não comece pela tecnologia, comece pelo problema”