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Neeleman. “Não seria bom para a TAP” voltar a ser 100% estatal

Acionista da TAP David Neeleman durante apresentação dos resultados de 2018 em Lisboa, 22 de março de 2019. NUNO FOX/LUSA
Acionista da TAP David Neeleman durante apresentação dos resultados de 2018 em Lisboa, 22 de março de 2019. NUNO FOX/LUSA

David Neeleman falou pela primeira vez sobre a atribuição de prémios na TAP, um anúncio que causou polémica depois das perdas de 2018

David Neeleman repete o comunicado enviado pela TAP para dizer que a entrega de prémios superiores a 1 milhão de euros a 180 trabalhadores da TAP foi “um mal entendimento que já foi esclarecido” e deixa na mão do Governo a resposta à pergunta que muitos fizeram na última semana depois do ‘puxão de orelhas’ de Pedro Nuno Santos à administração da empresa.

“Caberá ao governo responder [se quer voltar a ser o único acionista da TAP] mas não acredito pois não seria bom para a TAP”, disse o principal acionista privado do Consórcio Atlantic Gateway, que venceu o processo de privatização da TAP, entretanto alterado para um modelo em que o Estado tem 50% de capital, mantendo a gestão privada da companhia.

“O Estado já foi dono da TAP e no momento em que pegámos na empresa na privatização, a TAP estava sem recursos para pagar salários, com aviões muito velhos e uma dívida enorme”, disse Neeleman em entrevista ao Expresso.

O norte-americano recorda ainda que as leis comunitárias são “muito restritivas relativamente aos apoios que os Estados podem colocar nas suas empresas” e reforça que está confortável com a sua posição acionista, que reforçou este ano, depois da saída dos chineses da HNA.

Quanto à relação com Pedro Nuno Santos, ministro da tutela, e responsável por uma dura reprimenda depois do anúncio da atribuição de prémios em ano de prejuízos, Neeleman diz que já se conhecem e têm mantido “o contacto por várias vias” no passado recente. “Somos pessoas bastante diretas e sinceras”, diz ainda o investidor privado.

A TAP pagou prémios de 1,17 milhões de euros a 180 pessoas, incluindo dois de 110 mil euros atribuídos a dois quadros superiores, apesar de em 2018 ter registado um prejuízo de 118 milhões de euros. A Comissão Executiva da TAP justificou, desde logo, a atribuição dos prémios com o “programa de mérito” implementado pela companhia, que diz ter sido “fundamental” para os resultados atingidos em 2018.

Para o governo o ato foi encarado como “uma quebra da relação de confiança”.

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