aviação

David Neeleman poderá deixar a TAP já no início do ano

David Neeleman, um dos proprietários da TAP. Fotografia: Tiago Petinga/Lusa
David Neeleman, um dos proprietários da TAP. Fotografia: Tiago Petinga/Lusa

Investidor poderá já não estar na estrutura da companhia quando forem apresentados os resultados financeiros de 2019. Isto é, sairá até março

A relação entre David Neeleman e o governo de António Costa tem-se degradado, e a saída do acionista do capital da TAP é apontada como cada vez mais provável. O Jornal de Negócios diz mesmo, esta terça-feira, que o investidor privado não deverá ficar para além de março, não chegando a testemunhar a apresentação de contas de 2019.

A saída do investidor, adianta o jornal diário, estará a ser preparada pelo próprio através de contactos com outras empresas ligadas à aviação. Nomes como a Lufthansa, British Airways, Air France ou United são apontados pelo jornal como potenciais candidatos à compra da fatia da TAP detida pelo norte-americano.

A Lufthansa e United – empresa que comprou a fatia dos chineses da HNA na Azul, por exemplo – já tinham sido mencionadas em setembro pelo jornal Expresso, altura em que já se dava conta do efeito negativo que os resultados do semestre, e a atribuição de um bónus de 1,171 milhões de euros a 118 funcionários em ano de prejuízos, tinham tido numa relação já de si nunca apontada como fácil.

Agora, indicou Luís Marques Mendes, no seu habitual comentário de domingo na SIC, a situação tornou-se “insustentável”. O comentador dava conta da vontade do Governo de avançar para uma alteração da estrutura acionista e, diz agora o Negócios, esta saída pode acontecer mesmo que não seja encontrado um investidor que entre de forma direta, sendo apontada a possibilidade de reforço por parte de Humberto Pedrosa e do acionista Estado ou até mesmo a entrada de portugueses relacionados com a área do Turismo.

O Governo, até ao momento, não fez qualquer comentário.

O rasto ao capital

Os caminhos de David Neeleman e da TAP cruzartam-se pela mão de Fernando Pinto, ex-presidente da companhia. Conhecedor do setor, com boa relação com as instituições financeiras, e um grupo de investidores que o acompanham, Neeleman entrou no processo de venda da TAP. Com a regras europeias a impossibilitarem uma privatização – na altura de maioria do capital – a um cidadão de fora da União Europeia, convidou Humberto Pedrosa, dono da Barrraqueiro, a juntar-se.

O processo de privatização da companhia foi concluído com sucesso, e refeito pelo atual governo para que o Estado fosse dono da maioria do capital.

Com a reconfiguração da estrutura acionista, e um novo acordo parassocial, o consórcio privado Atlantic Gateway passou a deter 675 mil ações de categoria A da TAP, representativas de 45% do capital social e dos direitos de voto e 90% dos direitos económicos da TAP SGPS. O capital da companhia está ainda na mão dos trabalhadores, que detêm 5%, fruto da obrigatória abertura de capital que decorre da lei das privatizações, e outros 50% estão nas mãos do Estado. A gestão da TAP é totalmente privada.

David Gary Neeleman é o acionista maioritário do consórcio Atlantic Gateway. Arrancou o ano com uma fatia igual à do sócio, Humberto Pedrosa, que valia 40% do agrupamento, numa altura em que os restantes 20% estavam na mão dos chineses da HNA, que tinham reforçado a sua posição em fevereiro de 13% para 20%.

Em março, a HNA iniciou um ciclo de vendas de várias participações e a sua participação no AG não foi excepção. Nessa altura, o reforço foi feito pela Azul e pela Global Aviation Ventures, ambas participadas de Neeleman.

Com o reforço, David Neeleman, que ainda é dono de 5,3% da Azul, passou a ter uma fatia na TAP que ronda os 24%.

Além de capital, Neeleman tem homens da sua confiança na empresa, tendo escolhido três nomes que compõem a comissão executiva, entre eles o CEO, Antonoaldo Neves. O Estado está reduzido a um voto de qualidade, trunfo na mão de Miguel Frasquilho, mas não tem qualquer capacidade de interferência na gestão executiva – que tem levantado preocupações e dúvidas ao Executivo.

O Jornal de Negócios diz que agora Pedro Nuno Santos quer mudar esta realidade e aproveitar a troca de cadeiras, e vontade de Neeleman sair, para nomear um executivo para a TAP.

 

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