Neeleman: "Vamos cumprir com o contrato"

Primeira reunião dos novos donos da TAP com o governo adensou braço-de-ferro sobre a venda da companhia aérea.

Humberto Pedrosa e David Neeleman não estão disponíveis para perder a maioria do capital da TAP. Depois de uma hora de reunião com o novo governo socialista, os novos donos privados da companhia aérea confirmaram que o seu projeto "não casa" com o do Executivo.

"Vamos cumprir com o contrato que assinámos", afirmou David Neeleman, esta quinta-feira, sublinhando que o negócio firmado com o anterior governo "já tem muitas restrições".

"A gente vai cumprir com o nosso contrato - entrámos com certas condições. A situação da TAP não é fácil é a mais difícil que já vi em toda a minha carreira. Já pagámos muita dívida, já tomámos mais decisões nas últimas duas semanas como não acontecia há 15 anos", afirmou o norte-americano, acrescentando que ao governo explicaram "todos os desafios" que têm pela frente.

Que proposta apresentou o Executivo? "Não foi uma proposta. Conversámos, falámos, e explicámos o que estamos a fazer. A situação da TAP não é fácil. Há muito, muito trabalho", disse o responsável.

Humberto Pedrosa, sócio maioritário do consórcio, acrescentou que neste primeiro encontro formal com o ministro do Planeamento e Infraestruturas, que se seguiu a uma série de contactos anteriores, "não houve negociação sequer". Mas garantiu: "o projeto do governo não é o nosso projeto".

O que significa? "O Governo tem um projeto para ser maioritário, nós temos o nosso projeto para sermos maioritários e isto não casa bem". Disponibilidade para negociar ou abrir mão de, pelo menos 12% da TAP? "Não sei, vamos ver", disse o sócio português de David Neeleman.

O contrato assinado com o Governo de Pedro Passos Coelho atribui aos dois sócios privados 61% da TAP a que pode acrescer o que os trabalhadores da companhia não comprarem dos 5% a que tinham direito - este tipo de processo nunca tem muita adesão por parte dos funcionários.

Ora, o Governo de António Costa fez da reversão parcial do negócio uma das bandeiras da campanha eleitoral, que agora quer efetivar através de uma alteração do contrato. Em cima da mesa está, para já, a reversão para o Estado do que sobrar do capital destinado aos funcionários, que eleva para 39% a fatia do Estado.

Resta saber agora como vai o Executivo tentar passar para si os restantes 12% que lhe garantem a maioria do capital. Apesar de contar desde já com a oposição dos dois investidores, António Costa só conseguirá levar o seu plano para a frente se conseguir estabelecer um acordo putativo com o consórcio.

E este acordo terá uma parte fundamental: o capital. É que já entraram 180 mil euros na TAP, Fernando Pinto assegura que metade já está comprometida, e Costa nunca assumiu publicamente como ou onde pretende ir buscar as verbas necessárias para compensar os dois investidores.

Como o Dinheiro Vivo escreveu, há vontade de manter a gestão da companhia privada, ainda que o Estado venha a ser maioritário. Mas, para já, Neeleman e Pedrosa não conhecem o plano.

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