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Negócios de verão que não tiram férias no inverno

Bolas de Berlim do Norte começaram a vender-se nas praias de Gaia, há cinco anos. Agora há projetos para exportar para a Europa. (Foto: Fábio Poço/Global Imagens)
Bolas de Berlim do Norte começaram a vender-se nas praias de Gaia, há cinco anos. Agora há projetos para exportar para a Europa. (Foto: Fábio Poço/Global Imagens)

Especialista defende que o verão é uma boa época para criar vínculos emocionais com as marcas e empresas.

O amor de verão pode não durar o ano inteiro, mas há negócios sazonais que conseguem persistir e crescer além dos dias de sol. Foi assim que as Bolas de Berlim do Norte passaram a ser saboreadas durante todo o ano: apostaram em eventos e em empresas e têm em vista um projeto de exportação. A cerveja artesanal da HOPS Beer & Co. utiliza uma carrinha vintage para seguir os clientes, seja a festivais, seja a centros de negócios. E a Frutamar, nascida nas praias algarvias, prepara-se para fornecer escolas e empresas durante todo o ano.

“As empresas, hoje, têm de inovar e já não podem fazer negócios de forma convencional”, destaca Mafalda Pinto, docente do IPAM – The Marketing School, ao Dinheiro Vivo.

Cidália Pinto ficou desempregada, já com mais de 40 anos, e decidiu empreender para criar o próprio emprego. Encontrou a receita e o fornecedor das Bolas de Berlim do Norte e, em 2013, lançou-se a vender nas praias do Norte, onde a moda ainda não tinha chegado. Embora chegasse a vender “mil bolas por dia, em dias bons”, Cidália sabia que o verão do Norte não dura muito e começou a apostar nas entregas em empresas e na presença em eventos e, assim, conseguiu sustentabilidade no inverno. Num dos eventos recentes, surgiram contactos para “exportar as bolas de berlim, para vender ao lado dos pastéis de nata” na Europa, um projeto deverá evoluir a partir do outono.

“Bolas de berlim há muitas, nas confeitarias, em qualquer altura do ano. Mas as da praia trazem uma componente emocional associada que sabe bem no inverno, trazem boas recordações das férias”, explica Mafalda Ferreira.

Apesar de agradáveis, não se pense que as praias são locais tranquilos para começar negócios. Que o diga Hugo Lopes, CEO da Frutamar, uma empresa de venda de fruta descascada e cortada, sedeada em Tavira. “Estava no Reino Unido quando tive a ideia e quis vir para Portugal ser empreendedor”, recorda. “Depois percebi porque é tão complicado”, lamenta.

O negócio começou em 2014, nas praias de Monte Gordo, Cabeço, Altura e Manta Rota. No ano seguinte, conseguiu expandir até às praias de Ilha de Tavira, Fuzeta, Armona, Culatra, Farol e Ayamonte, já em Espanha. “A reação das pessoas foi fabulosa. Pensei que fossem mais as senhoras a preferir a fruta na praia, em vez das tradicionais bolas de berlim, mas afinal as crianças adoraram a ideia”, recorda Hugo Lopes. A fábrica tinha seis pessoas a descascar e a cortar fruta, enquanto oito vendedores corriam os areais. Subitamente, em 2016 e este ano, “sem nunca ter dado explicações”, a capitania de Tavira não autorizou a venda e Hugo Lopes viu-se obrigado a alterar a estratégia para vender às escolas a fruta com o selo da Nutri Ventures, com quem têm parceria.

“Algumas autarquias [algarvias] torceram o nariz a gastar 4 cêntimos extra que não são cobertos pelos fundos comunitários, mas não vamos desistir da ideia”, refere Hugo Lopes, que é também embaixador da Food Revolution, o movimento lançado pelo chef britânico Jamie Oliver. Com uma nova estrutura de produção e distribuição capaz de chegar a todo o país, a Frutamar está a preparar, para o inverno, o fornecimento a locais de lazer, participando em festivais e eventos de norte a sul e, possivelmente, a “uma companhia aérea”. Mafalda Ferreira recorda que “as empresas devem procurar sair da sua zona de conforto para inovar e encontrar formas de rentabilizar a sua estrutura”, tal como a Frutamar está a fazer. “As empresas que fazem uma análise profunda das oportunidades, de acordo com as necessidades do público, estão no bom caminho. Aproveitar o verão para criar um vínculo emocional é uma grande ideia”, remata a especialista do IPAM.

José Zacarias é novo no mundo dos negócios por conta própria e, tal como Hugo Lopes, sabe que “lançar um conceito novo traz maiores riscos”. Ainda assim, o fundador da HOPS Beer & Co. diz que não podia estar mais feliz, “aos 55 anos e com um sonho”. Depois de uma vida a trabalhar com computadores, aproveitou um momento de down sizing da Microsoft, comprou uma carrinha vintage de 45 mil euros com 12 torneiras para cerveja e, desde o verão passado, anda a correr o país atrás dos clientes: junto às praias e a festivais quando está calor, no centro de Lisboa quando o regresso ao trabalho convida a um copo depois do expediente.

“Não me limito a vender cerveja artesanal: para cada evento levo uma seleção específica, que considero que se enquadra no momento”, explica. “O atendimento também é personalizado, porque procuro ir ao encontro do que o cliente quer. Explico as cervejas e, no caso do quiosque móvel que construí para eventos, é o próprio cliente que tira a sua cerveja”, conta. Cerveja artesanal com curadoria será, então, o conceito a expandir no inverno, num modelo de franchising “que ainda não existe, porque é para funcionar em parceria e não como uma mera relação de patrão e empregados”.

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