Nestlé com 565 milhões de receitas investe 71 milhões em Portugal

Dos mais de 70 milhões investidos, 16,5 milhões foram canalizados para as operações e 55,6 milhões no marketing das marcas da companhia.

A Nestlé Portugal fechou o ano passado com 565 milhões de euros de receitas, uma subida de 30 milhões em relação ao ano anterior e 80 milhões em relação aos últimos três anos. Em ano de pandemia, a companhia dona da Cerelac ou da Buondi investiu 71 milhões de euros em Portugal.

"São resultados excecionais, os melhores resultados de sempre da Nestlé", diz Paolo Fagnoni, diretor-geral da Nestlé Portugal, num encontro digital com jornalistas para a apresentação de contas da companhia no mercado nacional o ano passado. "Não são apenas resultados económicos, mas sim também de uma forma de trabalhar, de conceber a organização", diz. Desempenho a que o responsável aponta ao "crescimento contínuo de confiança nas nossas marcas, na nossa forma de agir".

Um crescimento que foi feito sobretudo através das compras no canal lar, já que fora do lar - cafés, restauração e escritórios - a companhia perdeu 85% das receitas, canal que, diz Paolo Fagnoni, representa entre 85 a 90 milhões de euros de receitas. "Portugal é o país das esplanadas e das pastelarias", diz o diretor-geral sobre o canal. "Faltou-nos a joia, a alegria", diz ainda, não apontando uma data para uma potencial retoma da economia. "Não tenho elementos para responder".

"Em março e abril, começamos a ver algumas vendas positivas no café. Pequenos sinais. Mas não é a fatia mais importante do negócio", diz o diretor-geral.

"O único negócio que não foi afetado, nem positiva, nem negativamente foi o de petcare. Cresceu muitíssimo independentemente da pandemia", diz o diretor-geral. Super, veterinários e online mantiveram-se abertos.

Investimento

Dos mais de 70 milhões investidos, 16,5 milhões foram canalizados para as operações e 55,6 milhões no marketing das marcas da companhia. Mais de metade foi investido em media (52%), transformando a empresa no maior anunciante na indústria de alimentos e bebidas. No último trimestre do ano e comparativamente com o período homólogo, investimos acima do mercado: +49% versus 34%.

A companhia cresceu ao longo do ano, acima do mercado em valor (+19,7% vs. +12,6%) alcançando uma quota total de 35% quota de mercado nas categorias onde atua. "Reforçámos assim a liderança em todas categorias do Café - com cápsulas, solúvel e torrado -, em cereais para toda a família, em bebidas de cereais, em bebidas achocolatadas, em nutrição infantil, em petcare e em cereais de pequeno-almoço e barras de cereais", destacam em nota de imprensa.

Globalmente a multinacional aumentou a produções nas duas fábricas portuguesas - de café, no Porto, e de cereais, em Avanca - em mais de 12% nos últimos três anos. Produção que em parte seguiu para exportação, gerando um total de 95,8 milhões de euros.

O ano passado a companhia comprou em Portugal 60% das suas necessidades com um investimento total de 124 milhões de euros, tendo com essa política de compra local, conseguiu, em dez anos, reduzir em 53% as emissões de CO2 no transporte por tonelada de produto.

Empresa mais sustentável

A nível global a multinacional já anunciou a intenção de reduzir a sua intenção de investir 3,2 mil milhões de francos suíços para até 2050 atingir o objetivo da neutralidade carbónica.

Trabalhar na circularidade das embalagens - Em Portugal, mais de 90% das embalagens estão já prontas a ser recicladas ou reutilizadas - na recolha de cápsulas de café, uma logística mais verde e energias renováveis são algumas das áreas onde a companhia está a trabalhar, elenca Paolo Fagnoni.

O ano passado, apesar da infraestrutura disponível em Portugal para a utilização de camiões com combustível alternativo ser ainda limitada, a empresa entregou 204 cargas em camiões GPL e, para este ano, planeia aumentar em 30% a utilização destes veículos.

Está ainda a trabalhar na redução de viagens com camiões vazios, no aumento da expedição direta de produtos das fábricas aos maiores clientes, e no aumento das percentagens de recolha de produtos diretamente pelo cliente no principal centro de distribuição, localizado em Avanca. Em 2020 estas entregas totalizaram já 10% da distribuição nacional da companhia. Com estas iniciativas, nos últimos três anos a empresa reduziu em 20% as emissões.

O ano passado a Nestlé iniciou um processo de transformação da frota para veículos 100% elétricos e híbridos, com o objetivo de até 2024 ter total de 465 veículos elétricos e híbridos. Nesse sentido, estão agora a instalar 72 carregadores elétricos, distribuídos pela Fábrica do Porto (12), pela Fábrica de Avanca (6), pela sede em Linda-a-Velha (52) e pela delegação comercial no Funchal (2). Os pontos terão capacidade de 7,2 kwh para carga total em quatro horas para os veículos elétricos e duas horas para os híbridos.

Em dez anos, a Nestlé Portugal "reduziu a captação de água necessária às suas operações em 70% (m3/ton), reduziu o consumo de energia em 22% (Gj/ton), baixou as emissões de CO2 em 39% e atingiu, também neste período, o objetivo de zero resíduos enviados para aterro", referem.

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