Ninguém para os chineses. Veja onde é que já atuam em Portugal

Dívidas à EDP cresceram 15% em 9 meses
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A porta de entrada do recente investimento chinês em Portugal foi a privatização da EDP, em dezembro de 2011, e desde então que os investimentos se sucedem, não só na área da energia, mas também no imobiliário, nos mármores e agora nos seguros.Só em investimentos conhecidos já estão perto dos cinco mil milhões em apenas dois anos, a maior parte nas privatizações. Além disso, são várias as áreas onde já mostraram interesse, nomeadamente na banca portuguesa e até na agricultura. Veja onde é que os chineses já estão em Portugal.

1. PRIVATIZAÇÕES: EDP e REN

Os chineses têm sido uma presença constante no programa de privatizações das empresas do Estado. No final de 2011, a China Three Gorges (CTG) ganhou a privatização da EDP, pagando 2,69 mil milhões por 21,35% e ainda se comprometeu a financiar a elétrica em quatro mil milhões e a investir mais dois mil milhões na compra de ativos renováveis. Uns meses mais tarde, a State Grid vence a privatização da REN, pagando 390 milhões por 25% da empresa e comprometendo-se ainda a financiar a empresa em dois mil milhões e a investir 12 milhões num centro de competências em Portugal. Com a venda da Caixa Seguros à Fosun, os chineses representam já mais de metade das receitas totais das privatizações nacionais que já ascendem a 8,1 mil milhões de euros.

2. BANCA

Os financiamentos à EDP e à REN levaram os chineses a instalar-se e a abrir bancos em Portugal. O primeiro a chegar foi o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), que se instalou junto ao Marquês de Pombal logo em fevereiro de 2012. E no ano passado foi a vez do Bank of China, que instalou a sede e abriu um balcão comercial na Rua Braancamp. Além disso, o China Development Bank mostrou-se interessado em comprar participações em bancos portugueses, nomeadamente no BCP, mas até agora nada se concretizou.

3. IMOBILIÁRIO

O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, lançou no início de 2013 o mecanismo gold visa, que atribui vistos de residência em Portugal a quem investir 500 mil euros ou mais em imobiliário. No final do ano passado, os chineses tinham já 399 vistos dos 471 atribuídos, sendo que, no total, foram investidos cerca de 307 milhões de euros. Na lista de compras estão casas de luxo, como uma moradia na Quinta da Marinha e três apartamentos de luxo no Estoril que custaram 3,6 milhões de euros, mas também escritórios, o restaurante Belcanto do chef José Avillez e, mais recentemente, o cinema Londres que será uma loja. Além disso, as mediadoras imobiliárias estão a contratar agentes chineses ou fluentes em mandarim e até já há agências próprias de empresários chineses, como a Noble Fortune, no Parque das Nações, que pretendem dar apoio aos seus conterrâneos.

Contudo, o interesse chinês em imobiliário não é de agora. Stanley Ho, o donos casinos portugueses, foi o primeiro a dar esse passo ao criar a Alta de Lisboa, um complexo residencial, em desenvolvimento há cerca de 15 anos.

4.TECNOLOGIA, ÁGUA, MÁRMORES

A Huawei, a fabricante de equipamentos como iPhones ou tablets, já tinha presença em Portugal, mas decidiu investir 10 milhões de euros num centro tecnológico. Um ano mais tarde, em março de 2013, foi a vez do Beijing Enterprises Water Group comprar, por 95 milhões de euros, a Veolia Water Portugal que assegura o abastecimento de água a Valongo, Paredes, Mafra e Ourém. Na mesma data, uma empresa chinesa terá comprado 35% da EDC Mármores, do Alentejo por 24 milhões de euros.

5. RESÍDUOS

A privatização da EGF, a empresa da Águas de Portugal responsável pela gestão e tratamento de resíduos sólidos urbanos, é outra das que tem despertado o interesse de empresas chinesas. O Beijing Enterprises Water Group é um dos interessados, mas também a Águas de Pequim.

6. COMÉRCIO E LUXO

Na Avenida da Liberdade e no Chiado, há lojas com os horários de abertura em chinês e empregadas de nacionalidade chinesa. Os chineses são, atualmente, dos principais compradores de marcas de luxo no mundo e em Portugal não é diferente.

7. CASINOS

Historicamente, o primeiro grande investimento chinês em Portugal foi no negócio do jogo, com a chegada de Stanley Ho. O magnata dos casinos de Macau é dono da Estoril Sol que detém hoje mais de 60% dos casinos do Estoril, Lisboa e Póvoa do Varzim. A presença de Stanley Ho é tão longa e grande em Portugal que a rua onde fica o Casino Estoril tem o seu nome.

8. AGRICULTURA

Comprar terrenos para produzir vinho e
azeite – os dois produtos nacionais mais apreciados pelos chineses e
mais exportados para a China – é uma das vontades dos empresários
chineses, mas até agora ainda não há conhecimento desse tipo de
operações.

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