No imobiliário, o negócio da China é fazer mais de 1,5 milhões a vender casas

Paulo Dias Fernandes e João Paulo Almeida, os melhores mediadores da Remax em 2014
Paulo Dias Fernandes e João Paulo Almeida, os melhores mediadores da Remax em 2014

Há cerca de um ano, um rapaz chinês de 25 a 30 anos veio a Portugal à procura de uma casa para ter um visto gold e queria que o seu namorado também tivesse um. Mas, para isso, ou tinham de ser casados ou tinham de comprar duas casas de 500 mil euros. A decisão foi simples e rápida - como costuma ser com os investidores chineses: escolheram casar. E em Portugal, porque o casamento homossexual é proibido na China. "Foi o primeiro casamento gay chinês em Portugal", conta João Paulo Almeida. "E nós fomos os padrinhos", diz Paulo Dias Fernandes.

Para os dois mediadores da Remax Expo, o visto gold e os chineses foram o melhor que lhes aconteceu. O ano passado fizeram mais de 1,5 milhões de euros a vender casas, não de um milhão, mas de 200 a 500 mil euros. E foram os melhores na Remax de Portugal e da Europa e ainda os quintos melhores entre os mais de 90 mil associados de toda a rede Remax no mundo.

“Ainda bem que os chineses vieram. Se não fosse o investimento internacional não tínhamos conseguido nada disto”, diz Paulo Dias Fernandes. “Há quatro anos, quando entrámos para a Remax, os mediadores estavam a viver de arrendamentos e pouco mais. Há quatro anos, faturar 400 mil euros num ano era o mesmo que faturar um milhão hoje”, repara. Paulo até pensou em sair por não estar a cumprir os objetivos a que se tinha proposto.

Foi por essa altura que se juntou a João, que tinha acabado de entrar “para começar a vida de novo”. “Tinha ficado sem nada, sem casa. Agora já comprei uma para a minha ex-mulher.” No primeiro ano como equipa fizeram logo 250 mil euros. Foi em 2011, em plena crise económica e do imobiliário, e sem chineses e outros estrangeiros. Porque hoje também se vende a investidores dos Emirados, Vietname, Singapura e Brasil. “Estes três últimos são os que estão a crescer mais”, diz João, que antecipa que 2015 vai ser ainda melhor do que 2014. “Já fizemos 200 mil euros este ano.”

Dito assim, parece fácil. Mas não é. Para chegar a estes valores em comissões de 5% é preciso fazer muitos negócios. Mais precisamente 225 em 2014, o que dá uma venda por cada dia útil. “Não vendemos uma única casa de super- luxo e duplicámos a faturação face a 2013, passando os 1,5 milhões”, repara João. “Temos trabalhado tanto que acho que ainda não nos apercebemos bem do que se está a passar”, conta Paulo. Além disso, continua, “se não vendermos, não ganhamos nada e aqui paga-se tudo. Publicidade, canetas, cartões, telefones… até as viagens à China. E fizemos três”.

Chineses esgotam Expo

Os chineses gostam do Parque das Nações porque querem casas novas a preços acessíveis. “Há casas novas no centro de Lisboa, só que custam mais de um milhão e eles não querem passar dos 500 mil euros. Muitas vezes compram duas”, nota João. É por isso que os valores oscilam entre 200 e 500 mil euros, “no máximo 550 mil euros”. E com os árabes, por exemplo, não é diferente. “Tivemos um que nos comprou sete casas. Mas são investidores. 90% do que vendemos é para arrendar.”

Para João, isto é positivo para o país. “Essas casas estão quase todas ocupadas e por portugueses que antes não podiam comprar na Expo.” E as rendas até são mais baixas do que se fosse um proprietário português. “Um chinês pede 1100 euros por um T2 com 133 m2 na Expo. Um português pediria 1500 euros”, conta.

O grande desafio é, agora, encontrar essas casas novas de 200 a 500 mil euros. “A Expo terminou. Só há meia dúzia de casas novas. O resto são usadas e estão a valorizar. São portugueses que compraram a 200 mil euros e agora pedem 300 mil, mas não sei se vão ter sorte. Já estamos a vender casas novas no Lumiar, Loures, Odivelas, na linha de Cascais. Até já vendemos casas a chineses em Sacavém”, repara. “Só falta mesmo perceberem que a outra margem também é boa.”

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