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Novas compras de media pela Altice é cenário “pouco provável”

Fotografia: Benoit Tessier/Reuters
Fotografia: Benoit Tessier/Reuters

Altice e Prisa acabam com venda da TVI. Prisa admite “todos os cenários” para a Media Capital. Altice mantém aposta nas Telecom

O negócio que há um ano não iria ter “entraves de maior” junto dos reguladores acabou ontem com a Altice a apontar o atraso na decisão sobre a compra da TVI como razão para o fim da operação de 440 milhões de euros. A Autoridade da Concorrência (AdC) deveria pronunciar-se esta semana sobre a operação que ia colocar nas mãos da dona do Meo um grupo que inclui a TVI, a produtora Plural ou a Rádio Comercial. Um chumbo, tudo indicava, depois de a Altice ter recusado novos compromissos. A espanhola Prisa vai agora analisar “todos os cenários” para a Media Capital, inclusive a venda.

“A Altice lamenta que, apesar de ter desenvolvido os melhores esforços, os reguladores não tenham emitido as decisões necessárias à concretização da transação em tempo útil”, acusa. A AdC, que em fevereiro levou o negócio para investigação aprofundada e em maio recusou os compromissos do grupo francês por considerar que não protegiam os interesses dos consumidores nem a concorrência, não quis comentar, confirmando apenas ter recebido um requerimento dando conta do fim da compra da TVI, “que está a analisar”.

A Altice sofre, assim, um revés na estratégia de concentração de ativos de media, telecomunicações e publicidade. E os analistas têm sérias dúvidas de que o grupo de Patrick Drahi volte às compras. Mas não necessariamente por recear um chumbo dos reguladores. “É difícil vermos uma nova tentativa de aquisição pela Altice”, diz Rui Bárbara, gestor de ativos do Banco Carregosa. “A situação atual da Altice mudou bastante desde o início deste processo. O grupo precisa de pagar a dívida à custa da qual fez muitas aquisições nos últimos anos, os resultados do corte de custos e da integração de negócios ainda não deu muitos frutos, a equipa de gestão foi substituída e o apetite comprador pode ter diminuído”, justifica. Por isso, excluem cenários de tentativa de aquisição de grupos de media como a Cofina ou Impresa, os dois privados com canais generalistas. Um cenário “pouco provável”, diz Albino Oliveira, analista da Patris Investimentos.

Os donos do Meo não comentaram se mantêm interesse em ativos de media em Portugal. “A Altice reafirma a sua aposta em Portugal, principalmente no mercado das telecomunicações, onde continuará o seu investimento em tecnologia e inovação”, garante. E deixa recado. É “imperioso que todos reflitam sobre as consequências causadas aos investidores, quer nacionais quer estrangeiros, à criação e sustentabilidade de emprego, à criação de valor e por último à economia nacional, dado o excessivo arrastar de tempo deste processo”.

Será este “recado” um sinal de que vai reforçar o corte de custos, inclusive com pessoal? “Não necessariamente. Os problemas da empresa estão sobretudo centrados em França. A empresa precisa sobretudo de colocar as aquisições que fez a dar resultados, embora não haja margem para abrandar o corte de custos”, diz Rui Bárbara.

Se as ações da Altice não reagiram ao fim do negócio (-0,71%), as da Prisa tiveram a maior queda dos últimos cinco meses – 6,42%. “Esta notícia não é positiva para a Prisa. O grupo terá de procurar alternativas para a sua estratégia de redução do nível de endividamento, principalmente tendo em conta a deterioração da situação na América Latina”, diz Albino Oliveira. Até março, a Prisa tinha uma dívida bancária de 817,9 milhões.

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