Novo Banco agrava prejuízos para 362,6 milhões

Provisão para reestruturação e contribuição para fundo de resolução e para o setor bancário atingiram os 109 milhões e penalizaram as contas do banco.

O Novo Banco agravou os prejuízos no primeiro semestre, para 362,6 milhões de euros, segundo o comunicado divulgado na CMVM naqueles que são os últimos resultados da responsabilidade de Eduardo Stock da Cunha - António Ramalho assume amanhã a liderança do banco. No período homólogo do ano anterior o banco tinha registado prejuízos de 251,9 milhões de euros.

O banco justifica o resultado com a provisão "para reestruturação e pelo registo da totalidade do valor relativo à Contribuição Sobre o Setor Bancário e da contribuição para o Fundo de Resolução Nacional e Fundo Único de Resolução".

Sem estes efeitos o resultado do semestre seria negativo em 243,9 milhões de euros, próximo do registo do semestre homólogo, apesar do aumento verificado no provisionamento (195,5 milhões de euros não considerando a provisão para reestruturação).

Segundo a informação divulgada, o resultado operacional foi positivo em 142,3 milhões de euros, uma melhoria de 704% face ao mesmo período do ano anterior e que compara com 125 milhões de euros gerados em 2015, destaca o banco.

O produto bancário situou-se em 446,5 milhões de euros, um aumento de 7,7%, "com o resultado financeiro a evidenciar um crescimento de 22,0%", destaca o Novo Banco.

Os custos operativos, no montante de 304,2 milhões de euros, evidenciam uma diminuição de 23,4% face ao período homólogo do ano anterior, "refletindo o esforço empreendido pelo Grupo, nomeadamente na redução do número de colaboradores, na simplificação e melhoria de processos e na otimização da estrutura operativa e comercial".

Contudo, foi necessário avançar com provisões para os processos de reestruturação em curso, de 109,6 milhões de euros o que, a par com as taxas regulatórias cobradas, agravou os prejuízos. Ainda assim, o banco destaca que o valor está "em linha com os objetivos traçados no Plano de Reestruturação, e está influenciado negativamente pela referida provisão para custos de reestruturação e pelo registo da totalidade do valor relativo à Contribuição Sobre o Setor Bancário e das contribuições para o Fundo de Resolução Nacional e Fundo Único de Resolução".

Do ponto de vista da qualidade dos ativos, o rácio de crédito vencido há mais de 90 dias em relação ao crédito total foi de 15,7%, com o rácio de cobertura por provisões a fixar-se em 104,3%.

O crédito em risco representava 23,9% do total da carteira de crédito.

A produção de crédito aumentou no primeiro semestre, a nível individual, registando um aumento de 53% face à média mensal de produção de 2015 e uma melhoria de 70% no crédito à habitação.

Já nos depósitos registou-se no semestre uma redução de 8,4% face a dezembro de 2015, para 25,1 mil milhões de euros mas apresentando um valor mais próximo do verificado em março de 2016.

"Este decréscimo verificou-se, com maior incidência, em grandes depositantes e reflete também o impacto da transferência do BES Vénétie e NB Ásia para ativos em descontinuação (-0,4mM€). De salientar a evolução positiva verificada no segmento de particulares que, no trimestre, apresentou um crescimento de cerca de 500 milhões de euros".

O rácio Common Equity Tier 1 (CET1) phased-in estimado para 30 de junho de 2016 fixou-se

em 12,0% (10,2% em regime de full implementation, aplicável a partir de 1 de Janeiro de

2018).

Saída de trabalhadores está "em fase final"

O Novo Banco continua a implementar o plano de reestruturação, elaborado com o Banco de Portugal, que prevê o desinvestimento em ativos não estratégicos e a redução de 150 milhões de euros em custos operacionais e recorrentes este ano, associados ao corte de mil funcionários e encerramento da rede de balcões para 550. O Novo Banco tinha anunciado a intenção de fechar 500 balcões.

"No decorrer do segundo trimestre de 2016 concretizaram-se algumas das ações enquadradas no Plano, nomeadamente as relacionadas com a redução do número de colaboradores cujo trabalho se encontra na sua fase final. O redimensionamento da rede de distribuição continua a evoluir no sentido de, em 31 de dezembro de 2016, se cumprir com sucesso o objetivo estabelecido.

O Novo Banco tem também em curso um plano para vender 700 milhões de euros em ativos imobiliários até ao final do ano mas não divulgou no relatório quanto já foi vendido. No final do primeiro trimestre o valor rondava os 100 milhões de euros.

Venda de França e Macau concluída até ao final do ano

O Novo Banco refere ainda que várias operações internacionais passaram a estar "alocadas a atividades em descontinuação", ou seja, para venda. Em causa estão as subsidiárias BICV (Cabo Verde), BES Vénétie (França) e NB Ásia (Macau). Foram encerradas as sucursais de Nova Iorque, Nassau e Cabo Verde.

O processo de venda das subsidiárias em França (BES Vénétie) e Macau (NB Ásia) continuam a decorrer dentro do Plano, devendo os mesmos ser concluídos até ao final do ano de 2016.

Apesar do plano de reestruturação prever o desinvestimento em atividades internacionais em Espanha a atividade está a ser alvo de uma otimização, com a redefinição do modelo comercial e um maior foco nas empresas, além da reestruturação da rede de agências. O Novo Banco vai também cortar 125 colaboradores em Espanha. A operação em Espanha gerou um resultado operacional de 5,1 milhões de euros.

Já no Reino Unido também se manteve a implementação do plano de reestruturação, com foco na redução de custos. O total do ativo decresceu 7,0%, ascendendo no final do semestre a cerca de

3,8 mil milhões de euors, dos quais 45% correspondem à carteira de crédito e o resultado operacional foi de cerca 1,5 milhões de euros.

"No Luxemburgo também se procedeu a uma reestruturação e reorientação estratégica no negócio

local, com maior enfoque no segmento private, tendo-se registado, no semestre, uma redução de

cerca de 8% nos depósitos de clientes, ascendendo os mesmos a 437 milhões de euros".

 

 

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