Novo Banco dá “a volta ao cabo da Boa Esperança”. Prejuízo baixa 25%

António Ramalho salientou “o feito” de um resultado recorrente muito positivo e um crescimento do negócio acima dos 5%. CEO quer limpar o banco em 2020, mas admite precisar de nova injeção de capital.

“A reestruturação ainda não está terminada. Mas estamos a dar a volta ao cabo da Boa Esperança. Estamos perto do turnaround que pretendemos fazer em 2020”, afirmou António Ramalho, CEO do Novo Banco, ao anunciar ontem uma redução nos prejuízos no ano passado. Uma nova injeção de capital está em cima da mesa.

O Novo Banco fechou as contas de 2019 com um prejuízo de 1058,8 milhões de euros. São menos 353,8 milhões (-25%) do que no ano anterior. A melhoria nas contas reflete a perda de 1236,4 milhões na atividade legacy e um ganho de 177,6 milhões na atividade recorrente.

“O banco registou perdas relacionadas com o processo de restruturação e desalavancagem de ativos não produtivos, designadamente os projetos Sertorius, Albatros e NATA II, e o processo de venda da GNB Vida”, reconhece.

Mas apresentou já um resultado recorrente muito positivo e um crescimento do negócio acima dos 5%. “Foi um feito. Mas também foi um feito fazê-lo em simultâneo com uma redução de 3,3 mil milhões de euros de NPL e uma redução acima de 50% do seu balanço legado”, salientou o banqueiro. A carteira de créditos não produtivos soma agora 6739 milhões; neste ano, o objetivo é um novo corte de 1,7 mil milhões.

Para os bons números do banco contribuiu também uma redução de 1,8% nos custos operativos, “um reflexo das melhorias concretizadas ao nível da simplificação dos processos e da otimização de estruturas com a consequente redução no número de balcões e de colaboradores”. O Novo Banco tem vindo a implementar um plano de reestruturação que inclui a redução de custos e a venda de ativos e de crédito malparado. Em resultado deste apertar do cinto, o banco fechou 2019 com 4869 trabalhadores, menos 227, ao mesmo tempo que fechou 15 balcões, contando no final de dezembro com apenas 387 agências.

António Ramalho quer “limpar o banco” em 2020, com vista à sua recuperação, mas não afasta a possibilidade de ser necessário pedir uma nova injeção de capital ao Fundo de Resolução. O banqueiro lembrou que o banco ainda não esgotou o limite de 3,89 mil milhões de euros previsto no mecanismo de capital contingente acordado com o Estado na altura da venda da instituição em 2017.

“A César o que é de César, a Deus o que é de Deus”, afirmou António Ramalho na conferência de apresentação de contas, explicando que caberá aos acionistas a decisão final. “Os acionistas poderão sempre tomar as decisões que quiserem”, disse, lembrando que “o mecanismo (de capital contingente) está em vigor até 2026”.

O banco confirmou que vai pedir mais 1037 milhões de euros ao Fundo de Resolução para cobrir falhas de capital devido a perdas registadas com a venda de ativos tóxicos do BES. Com esta injeção eleva para 2,98 mil milhões de euros o total de injeções de capital feitas no banco pelo Fundo de Resolução - que é estatal, sendo gerido pelo Banco de Portugal.

O primeiro-ministro, António Costa, afastou nesta semana uma injeção única antecipada no Novo Banco. O chefe de governo garantiu que o Estado vai injetar o máximo de 850 milhões de euros previstos no Orçamento do Estado para 2020.

O banqueiro deixou ainda uma crítica à intenção dos partidos de travarem o aumento das comissões bancárias. “Os serviços têm de ser pagos para serem bem prestados. E quando passam a ser gratuitos tendem a não ser prestados ou a ser prestados com má qualidade.” Os partidos estão “cheios de boas intenções teóricas” no travão às comissões bancárias, mas “o inferno real está cheio de boas intenções teóricas”.

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