Novo Banco: Ex-responsável de auditoria nega que tenha saído devido a divergências com administração

Luís Seabra, antigo diretor do departamento de auditoria interna do Novo Banco, disse que a sua saída do banco não esteve relacionada com divergências com a administração. Sobre a venda de ativos, afirmou que a auditoria interna à alienação da carteira Nata 1 deixou um alerta sobre a não identificação dos compradores finais.

Luís Seabra, antigo diretor do departamento de auditoria interna do Novo Banco, afastou esta quinta-feira que a sua saída do banco tivesse estado relacionada com a existência de divergências com a administração.

Seabra dirigiu o departamento de auditoria interna do Novo Banco durante dois anos, tendo saído do banco em julho de 2020. O ex-diretor do Novo Banco esclareceu que a sua saída também não esteve relacionada com a auditoria interna efetuada à venda da carteira Nata 1.

Luís Seabra referiu que a sua saída se deveu ao facto de ter decidido abraçar uma nova oportunidade profissional no setor financeiro, na área da saúde. O ex-responsável do Novo Banco saiu quando estava a ser finalizada uma auditoria especial conduzida pela Deloitte.

"Não saí por causa de divergências estratégicas com o Novo Banco. Eu quis fazer algo de diferente na minha vida profissional", disse Seabra numa audição na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução. "Tenho a certeza que nada teve a ver com o Nata 1", adiantou.

Salientou que a auditoria interna realizada à venda da carteira Nata 1 apurou que não foram dadas garantias de que "tivesse sido feita uma avaliação de partes relacionadas", "não tendo encontrado qualquer operação com partes relacionadas".

Respondendo a uma questão da deputada bloquista Mariana Mortágua, Luís Seabra afirmou que em duas auditorias efetuadas em 2020 se detetou a inexistência de uma norma para regular transações com partes relacionadas. Referiu que estava previsto no plano de auditoria para 2020-2021 uma iniciativa relativa à relação com partes relacionadas, por ter sido considerado que se tratava de uma prioridade.

Seabra confirmou ainda que, no caso do Nata 1, não foi aplicada a norma geral sobre transações com partes relacionadas.

Indicou também que a auditoria independente efetuada pela Deloitte aos ativos problemáticos e à gestão do banco não teve qualquer envolvimento da auditoria interna do Novo Banco.

Antes de desempenhar funções no Novo Banco, Seabra já tinha tido uma longa carreira no Banco Espírito Santo, para onde entrou em 1994, tendo em 2006 passado a integrar a equipa do departamento de risco global do banco.

Amanhã, sexta-feira, dia 9 de abril, serão ouvidos nesta Comissão José Bernardo e António Joaquim Brochado Correia, sócios da PwC Portugal.

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