Novo Banco insiste na importância de planear atempadamente fim das moratórias

O presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, insistiu hoje na importância do planeamento atempado do fim das moratórias bancárias, com partilha "clara" do risco entre os agentes.

"Este é o momento, nos próximos três, quatro meses, de fazer uma profunda reflexão para resolver atempadamente e sem excitação excessiva os grandes problemas que vão surgir a sociedade portuguesa", disse António Ramalho durante a Conferência "Portugal que faz", uma iniciativa do Novo Banco e do Global Media Group, ao qual pertence o Dinheiro Vivo, dedicada, nesta edição, à região de Trás-os-Montes, Alto Tâmega e Douro.

"Como se partilha o risco das moratórias? É algo que tem que ser partilhado de uma forma clara, não pode ficar só no sistema financeiro", considerou.

Para António Ramalho, Portugal neste sentido está "um bocadinho fora daquilo que é o âmbito da Europa", com mais de 22% em moratória quando o resto da Europa já quase que não tem porque tem mais apoios do Estado.

"Temos que ter a cautela de ficar separados da Europa, porque trabalhamos segundo regras europeias ao nível da supervisão e esta não pode olhar-nos numa forma negativa, temos que ser cautelosos neste aspeto", disse.

"Vamos ter que assumir, reduzir nível de incerteza e assegurar mais cooperação", acrescentou.

"Não pode ser depois do verão. Depois do verão vamos estar todos nervosos com este assunto", sublinhou.

Para António Ramalho, a partilha dos riscos é fundamental e a banca deve reduzir a imprevisibilidade, simplificando e ajustando-se a cada setor e a cada região e tipologia de empresa.

"Precisamos de conjugar o público e o privado de uma forma integrada. Se tivermos publico sem privado só teremos despesa, mas se tivermos privado sem publico é impensável e, portanto, só sairemos desta crise se rapidamente reduzirmos os níveis de imprevisibilidade", concluiu.

Desde abril do ano passado que milhares de clientes não estão a pagar os créditos aos bancos, fazendo uso do decreto-lei do Governo que permite moratórias nos empréstimos, criadas como uma ajuda a famílias e empresas penalizadas pela crise económica desencadeada pela pandemia de covid-19.

Em 24 de setembro, o Conselho de Ministros decidiu prolongar por seis meses, até 30 de setembro de 2021, o prazo das moratórias de crédito às famílias e empresas que terminava em 31 de março.

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