Novo Banco já vendeu mais de mil milhões em ativos

Venda de ativos não estratégicos faz parte da reestruturação. Negociações com fundos decorrem com “intensidade”

O Novo Banco vendeu, até ao final de setembro de 2016, ativos no valor de 1,1 mil milhões de euros do side bank, para onde foram transferidos os ativos não estratégicos do banco de transição, incluindo imobiliário, fundos de reestruturação e a atividade internacional não relacionada com clientes domésticos.

O banco liderado por António Ramalho tem como objetivo vender em ativos não estratégicos no total de 1,8 mil milhões até ao final do ano. Em dezembro de 2015 o banco tinha 10,8 milhões de ativos no side bank e o objetivo era chegar ao final deste ano com nove mil milhões. Os dados finais relativos a 2016 ainda não foram divulgados mas, ao que o Dinheiro Vivo apurou, a expectativa é de que se cumpra o objetivo fixado. As vendas faseadas preveem uma redução de 500 milhões no ano passado, sendo que 221 milhões serão conseguidos através da venda de terrenos.

Os créditos e o imobiliário são os ativos com maior peso no side bank, representando 3,6 milhões e 2,5 milhões respetivamente. Mas a maior redução é nas operações internacionais, em que no final de 2015 o Novo Banco tinha cerca de dois mil milhões em carteira e, em setembro do ano passado, apenas 1,6 mil milhões.

Só em 2016, o Novo Banco avançou com a venda de seis ativos e encaixou mais de 452 milhões de euros. Além da venda da participação na ES Contact, de gestão de callcenters (por um valor não divulgado), o banco alienou ainda as participações na BMCE (por 83 milhões, na Tertir (com um encaixe de 60 milhões), Ascendi (240 milhões), na ES Ventures, no Novo Banco Ásia e ainda na Empark (por 69 milhões).

Enquanto prossegue a venda de ativos, o Novo Banco concluiu o processo de reestruturação do quadro de pessoal. António Ramalho, o CEO, garantiu no Parlamento que as saídas de 2016 estavam concluídas. No documento divulgado na página do banco de transição, saíram 1179 trabalhadores de janeiro de 2015 a setembro de 2016. Um passo considerado essencial para o sucesso do processo de venda, que deverá estar concluído muito em breve.

As negociações estão agora limitadas ao fundo Lone Star, o mais bem posicionado para a compra, segundo o Banco de Portugal, e ao consórcio Apollo/Centerbridge, numa altura em que a hipótese de nacionalização temporária tem vindo a ganhar força se os dois interessados não deixarem cair a exigência de uma garantia pública. O governo quer fechar o dossiê o mais rapidamente possível. Mário Centeno, o ministro das Finanças, já garantiu que as negociações estão a decorrer “com bastante intensidade” e que a conclusão deverá ocorrer “proximamente”.

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