Novo CEO da Galp estreia-se com apresentação das contas

Carlos Gomes da Silva já era administrador da Galp e assume agora o cargo de CEO
Carlos Gomes da Silva já era administrador da Galp e assume agora o cargo de CEO

O novo presidente executivo (CEO) da Galp, Carlos Gomes da Silva, estreia-se hoje oficialmente no novo cargo, menos de duas semanas depois de ter sido aprovado pelos acionistas da empresa na assembleia-geral de 16 de abril.

O gestor vai apresentar ao mercado as contas do primeiro trimestre deste ano, que prometem seguir o que já se verificou no último trimestre de 2014, ou seja, uma subida dos lucros e dos resultados operacionais.

De acordo com as estimativas dos analistas contactados pela Reuters, o lucro líquido terá disparado 162%, para 122 milhões de euros, ou seja, mais do que duplicou face aos 46,6 milhões registados no mesmo período de 2014. E os resultados operacionais terão subido 42%, para 376 milhões de euros.

O novo líder da petrolífera, que substitui Manuel Ferreira de Oliveira ao fim de nove anos como CEO, começa bem os seus três anos de mandato na empresa, mas os desafios que tem pela frente são imensos. Até mesmo nas contas.

É que estes dois períodos de bons resultados podem facilmente alterar-se dada a exposição da Galp à volatilidade dos mercados. Neste trimestre – tal como no anterior – as contas da petrolífera melhoraram muito devido ao aumento da produção de petróleo no Brasil, mas também pela recuperação das margens de refinação. Ou seja, a diferença entre o que custa comprar petróleo para refinar e o preço a que se vende o produto refinado.

Segundo os dados operacionais da Galp, a margem de refinação no mercado foi de 5,3 dólares por barril no primeiro trimestre do ano, que é mais do que os 2,9 dólares do trimestre anterior e muito mais do que os 0,6 dólares negativos do primeiro trimestre de 2014.

A explicar esta recuperação está a abrupta queda do preço do petróleo (brent), que agora se fixa perto dos 65 dólares por barril, quando em junho de 2014 valia 115 dólares.

Com esta cotação, a Galp gasta menos dinheiro a comprar o produto para refinar em gasolina e gasóleo e por isso é que a margem de refinação é depois superior. Além disso, permite comprar e refinar mais crude, que foi precisamente o que aconteceu. De acordo com os dados da operação da Galp, as matérias-primas processadas no primeiro trimestre cresceram 34% e a venda dos produtos refinados aumentou 20%.

A Galp continua, assim, a compensar a queda do preço do crude que, apesar de ser bom na refinação, é mau naquela que é hoje a principal atividade da empresa: a produção de petróleo.

Mas mesmo neste negócio, a petrolífera tem conseguido não ser tão afectada pela cotação, porque a produção no Brasil cresceu muito com a entrada em operação de novas plataformas. Só entre janeiro e março deste ano, a produção total aumentou 57,4% face ao mesmo período de 2014, 16,1% face ao trimestre anterior e já vai em 38,7 mil barris de petróleo. A maior parte é no Brasil, até porque em Angola está agora em declínio.

Os desafios de Gomes da Silva

Acompanhar o rápido crescimento da produção de crude e gás será o grande desafio de Gomes da Silva como CEO. É este o negócio que vai transformar a Galp numa petrolífera à escala internacional e isso requer muito dinheiro. Só no Brasil – que é o projeto mais avançado – serão instaladas mais sete plataformas além das três que já existem e cada uma delas vai produzir mais de 100 mil barris/dia, dos quais 10% são da Galp. O restante será para as parceiras, uma delas a Petrobras, que apesar da crise de corrupção não adiou nem cancelou este projeto.

Mas Gomes da Silva terá outros desafios e muitos são em Portugal. É o caso da quebra do consumo de combustível, mas também os processos em tribunal contra o Estado. Um deles é contra a taxa extraordinária de energia, que a Galp foi a única de todas as empresas visadas a não pagar. E o mais recente é a providência cautelar contra a lei que obriga a vender os combustíveis simples.

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