Alimentação

Nutri-Score. Rótulo que explica de A a E o valor dos alimentos

Serge Hercberg
Serge Hercberg, Professor de Nutrição, na Faculdade de Medicina, Universidade Sorbonne Paris Nord. (Leonardo Negrão / Global Imagens)

Se somos o que comemos, tem a certeza do que está a comprar quando vai ao supermercado?

A Auchan já adotou o sistema e, não tarda, produtos Nestlé e Danone passarão a exibir o rótulo de letras e cores que ajuda os consumidores a escolher melhor.

Se somos o que comemos, tem a certeza do que está a comprar quando vai ao supermercado? 40% dos portugueses não sabem interpretar os rótulos dos alimentos e metade da população sofre de problemas de obesidade e doenças crónicas relacionadas com hábitos alimentares que podiam ser evitados. Um rótulo fácil de interpretar pode ajudar a dar a volta a estes números. Serge Hercberg acredita que o Nutri-Score é o rótulo certo para isso.

“O Nutri-Score pode não ser perfeito, mas já provou o seu interesse. Não podemos esperar que resolva todos os problemas nutricionais, mas é uma forma de medida simples, baseada em ciência, pedida pelos consumidores, por alguns fabricantes e isso parece ter um efeito interessante de um ponto de vista de saúde pública”, diz o médico e investigador, considerado o pai do sistema de rotulagem. “É uma ferramenta de saúde pública útil para reduzir as desigualdades sociais em termos de nutrição.”

Em França, desde outubro de 2017, tornou-se habitual encontrar nas prateleiras dos supermercados produtos que exibem na frente um rótulo, que classifica os alimentos numa escala de A a E, cada um com uma cor diferente, do verde ao vermelho. Desde então, países como a Bélgica e a Espanha já adotaram o sistema, estando a Alemanha, a Holanda ou o Luxemburgo a dar os primeiros passos.

Em Portugal, a cadeia Auchan já introduziu o Nutri-Score nos seus produtos de marca própria e, em breve, produtos Nestlé e Danone, vindos do mercado externo, vão começar a exibir este rótulo de cores e letras na frente das embalagens. O rótulo com a informação nutricional por cada 100 g mantém-se.

“Ainda é cedo” para saber que impacto a introdução do novo rótulo teve nos hábitos de consumo dos franceses, mas Serge Hercberg mostra-se otimista. “Um estudo feito em 60 supermercados em França mostra que há uma modificação da qualidade nutricional do cesto”, que melhorou 10%.

O Nutri-Score “visa tornar os consumidores conscientes de que alguns produtos são melhores do que outros do ponto de vista nutricional. Não dizemos não coma produtos D ou E e apenas A ou B. Pode comer chocolates, comida processada ou refrigerantes, mas em pequenas doses e não com muita frequência”.

Mas também pode influenciar a cadeia de produção. “Em França muitos dos fabricantes e retalhistas que adotaram o Nutri-Score começaram a melhorar as receitas. O Intermarché anunciou em setembro que vão melhorar 900 receitas de pratos e refeições, para as orientar para o A, B e C e retirar aditivos.”

Em Portugal, ainda não foi tomada decisão sobre a adoção. Os resultados do estudo comparativo de vários sistemas de rotulagem simplificada são preliminares, mas “o desempenho do Nutri-Score era o mais elevado junto dos consumidores portugueses”.

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