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Nuvem: Microsoft mexe no queijo da Amazon

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As três grandes da computação na nuvem, Amazon, Microsoft e Google, reportaram resultados financeiros para os primeiros três meses do ano

Três das maiores empresas na indústria tecnológica apresentaram esta noite os seus resultados financeiros referentes aos primeiros três meses do ano: Amazon, Microsoft e Alphabet/Google. A Amazon excedeu as expectativas dos analistas, a Microsoft desapontou com menor crescimento das vendas e a Alphabet apareceu montada numa pilha de dinheiro. O que todas têm em comum é que são as maiores players do mercado de computação na nuvem, que é dominado pela Amazon Web Services (AWS). No entanto, o desempenho excecional da plataforma Azure da Microsoft revela que a estratégia “cloud-first” do CEO Satya Nadella está a resultar. Em outubro do ano passado, a Amazon liderava com uma quota de mercado de 45%, a Microsoft tinha 11% e a Google 8% (com a IBM a aparecer nos 5%). As coisas poderão equilibrar-se um pouco mais este ano.

Microsoft com resultados mistos

Os analistas esperavam mais deste terceiro trimestre fiscal da Microsoft. A tecnológica reportou receitas de 23,6 mil milhões de dólares, o que ficou abaixo do previsto, apesar de representar um crescimento de 7% – e de os lucros terem subido 13% para 5,7 mil milhões. A divisão de computadores pessoais desiludiu, ao ficar-se pelos 8,84 mil milhões, menos que o consenso dos analistas.

O que surpreendeu o mercado pela positiva, e é por isso que os resultados são considerados mistos, foi a performance extraordinária da divisão cloud Azure. As receitas desta plataforma dispararam 93% no trimestre, um ritmo de crescimento muito acima da líder AWS. Embora a Microsoft não discrimine o contributo da Azure, esta está integrada na divisão de “Nuvem inteligente”, que no trimestre atingiu os 6,76 mil milhões de dólares. Satya Nadella estava satisfeito com os resultados quando falou aos analistas.

“Em todas as indústrias, as empresas estão a tentar transformar-se digitalmente com serviços na nuvem, inteligência artificial e novas tecnologias de interface natural. Estas organizações viram-se cada vez mais para a Microsoft”, referiu. “Os nossos resultados neste trimestre refletem a confiança que os clientes estão a colocar na Microsoft Cloud.”

Estão mesmo. Embora a Microsoft continue muito longe da AWS em matéria de serviços na nuvem, o ritmo de crescimento poderá fazê-la descolar definitivamente da Google na terceira posição e aproximar-se da líder.

Amazon em grande

Isso não significa que este tenha sido um trimestre menos positivo para a Amazon: a gigante bateu as expectativas dos analistas e esteve a valorizar quase 5% nas trocas fora de horas. O seu negócio de nuvem continua a ser o maior do mercado, totalizando neste trimestre 3,6 mil milhões de dólares – um crescimento expressivo de 43%.

Isso não significa que este tenha sido um trimestre menos positivo para a Amazon: a gigante bateu as expectativas dos analistas e esteve a valorizar quase 5% nas trocas fora de horas. O seu negócio de nuvem, AWS, continua a ser o maior do mercado, totalizando neste trimestre 3,6 mil milhões de dólares – um crescimento expressivo de 43%. Alguns dos novos clientes da plataforma na nuvem são a Snap, criadora do Snapchat, a gigante da música ao vivo Live Nation, a casa-mãe das marcas Dunkin’ Donuts e Baskin-Robbins e a Liberty Mutual. ;

As vendas totais subiram 23% para 35,7 mil milhões de dólares, enquanto os lucros líquidos subiram de 513 para 724 milhões de dólares. É importante notar a diferença entre a AWS e a plataforma de retalho eletrónico: a primeira é muito mais lucrativa que a segunda. A gigante de Jeff Bezos está, por isso, a investir forte para manter a liderança na nuvem e afastar a ameaça da Microsoft. Isso também explica o foco em inteligência artificial, na AWS e em produtos de consumo (olá, Alexa), diferenciadores destinados a fidelizar e aumentar as margens do negócio. Um exemplo é a expansão da Amazon Lex, que dá acesso às tecnologias de IA da empresa a todos os programadores. ;

Bezos salientou, nos seus comentários, o sucesso do lançamento do negócio Prime na Índia, um mercado gigantesco onde o e-commerce é incipiente. ;

Receitas da Alphabet crescem 22%

Saída de um primeiro trimestre em que operou modificações na estrutura de pagamentos do YouTube e teve uma série de controvérsias por causa da colocação de anúncios ao lado de vídeos polémicos, a Alphabet reportou uma subida das receitas na ordem dos 22%, para 24,7 mil milhões de dólares. Destes, quase tudo veio da publicidade – 21,4 mil milhões, enquanto os lucros líquidos atingiram os 5,4 mil milhões. Tanto as receitas como os lucros bateram as expectativas dos analistas, e na conferência com analistas o CEO da Google, Sundar Pichai, mencionou a questão do YouTube. “Levámos o problema muito a sério e tomámos passos significativos”, referiu. A publicidade é a galinha dos ovos de ouro da empresa, e esta controvérsia – com anunciantes a retirarem os seus anúncios depois de terem sido vistos a acompanhar vídeos de supremacistas brancos – pode custar muito caro.

Olhando para o relatório financeiro, é possível ver que o volume de cliques em anúncios pagos aumentou – mais 53% nos domínios da Google, mas os custos por clique caíram 21%.

A empresa está a investir mais a sério na nuvem, mas não referiu o peso da Google Cloud Platform. Certo é que este segmento contribuiu para a subida de 50% nas receitas não publicitárias, que atingiram 3,1 mil milhões de dólares.

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