O português da Renault tem GM e Ford na mira

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Carlos Tavares é português, mas define-se como um executivo do mundo: do Japão aos EUA, passando pela França, por onde passou deixou bons resultados. O responsável pelas operações da Renault – e número dois da marca, atrás do CEO Carlos Ghosn – surpreendeu, esta semana, ao abandonar a empresa onde trabalhava, desde que acabou a sua licenciatura, há 31 anos. Não que seja estranho os executivos da indústria automóvel saírem de uma empresa para outra, geralmente para ascender a cargos superiores. O estranho é, na verdade, uma vida dedicada à mesma empresa.

Em bom rigor, Carlos Tavares começou na Renault em 1981, como engenheiro no Centro de Testes de Aubevoye, e ali foi subindo, até os negócios ditarem a promoção, em 2004, a vice-presidente da Divisão de Estratégia do Produto e Planeamento do Produto na Nissan. O brasileiro Carlos Ghosn já era CEO da Nissan desde 1999, quando se firmou a aliança com a Renault, onde se tornaria CEO em 2005, por reforma do anterior. Mas Ghosn não saiu sem deixar Carlos Tavares à frente da Nissan, onde conseguiu resultados extraordinários durante os anos em que liderou as operações nas Américas (entre 2009 e 2011). E acabou por ser chamado novamente a França, há dois anos, para ser o número dois da Renault.

“Temos um grande líder e ele está para ficar”, disse Tavares, em entrevista à Bloomberg, há duas semanas. Mas, confessou, “qualquer pessoa que seja apaixonada pela indústria automóvel chega à conclusão de que há uma altura em que temos energia e apetite pela primeira posição”, disse o gestor, acrescentando que seria mais interessante dirigir a Ford ou a General Motors. Tendo uma idade próxima do atual CEO da Renault (59 anos), Carlos Tavares (55 anos) explicou que receia poder ser demasiado tarde, quando Ghosn se reformar, para assumir o cargo.

Os líderes da General Motors, Dan Akerson, e da Ford, Alan Mulally, com 64 e 68 anos, respetivamente, deverão reformar-se em breve e os executivos da indústria já se perfilam para o cargo. Carlos Tavares refere que leva no currículo “experiência que seria boa para qualquer empresa automóvel.” Sem dúvida, ajudaria a acelerar a introdução de tecnologia europeia nos automóveis norte-americanos, que se tornariam menos consumidores e mais eficientes, além de poder replicar a estratégia de partilha de componentes entre modelos que permitem reduzir custos pela economia de escala.

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