O que é que a Havaianas tem? Novos donos por 950 milhões

Irmãos Batista venderam a Alpagartas para obter liquidez para abater dívida e pagar multa de clemência, depois de acusados de corrupção

Menos de dois anos depois de terem comprado a Alpargatas à família Camargo Corrêa, os irmãos Batista venderam a participação de controlo que tinham no grupo dono das famosas Havaianas. A Itaúsa e os fundos Cambuhy/Brasil Warrant pagaram 3,5 mil milhões de reais, cerca de 950 milhões de euros, pelos 86% que o grupo J&F dos irmãos Joesley e Wesley Batista detinham na companhia brasileira.

A venda da empresa dona da marca de chinelos de praia usada por celebridades como Jennifer Aniston, Gwyneth Paltrow ou Kim Kardashian surge no meio de mais um terramoto político no Brasil com origem na corrupção. Os irmãos Batista vão usar as receitas obtidas para abater parte da multa de clemência no valor de 10,3 mil milhões de reais (2,7 mil milhões de euros) que acordaram com o Ministério Público Federal (MPF) pagar em 25 anos depois de terem assumido subornar quase 1900 políticos, noticiou o Estadão. Para fechar o acordo, Joesley Batista gravou conversas com vários políticos, entre os quais o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves. Reveladas a 17 de maio, as gravações desestabilizaram o governo.

Pressionados pela necessidade de liquidez, os irmãos Batista começaram no final de junho a negociar a venda da Alpargatas com o fundo Cambuhy (braço de investimento da família Moreira Salles) e com a Itaúsa (que gere a fortuna das famílias Villela e Setúbal, que controlam o Itaú Unibanco Holding). A Alpargatas, uma das empresas brasileiras com alcance global - mais de metade da receita vem do mercado externo -, nem dois anos ficou nas mãos dos Batista. Em novembro de 2015, os empresários brasileiros tinham adquirido a empresa à Camargo Corrêa, os donos da Cimpor, por 2,7 mil milhões de reais (728 milhões de euros ao câmbio de hoje).

Na época, os Batista foram em socorro da Camargo Côrrea. A construtora precisava de angariar receita com urgência para pagar a multa de 800 milhões de reais acordada com o Ministério Público na sequência da Operação Lava-Jato.

Os 86% da J&F foram distribuídos pelos três compradores, com a Cambuhy e Itaúsa a deter 54,24% do capital total da Alpargatas, companhia que além das marcas Alpagartas e Havaianas, tem ainda a licença para a venda em exclusivo da marca Mizuno no mercado brasileiro. Posição que querem reforçar. No comunicado enviado ao mercado, os compradores pretendem fazer uma oferta pública de ações para comprar títulos. O empresário Silvio Tini, que tem 10% do capital da Alpargatas, não tem intenção de alienar a sua posição, segundo o Estadão. Mas a empresa tem mais de um terço das ações dispersas na Bolsa de São Paulo.

“Itaúsa, BW e Cambuhy estão confiantes de que a Alpargatas, com a colaboração de seus funcionários e executivos, continuará a sua trajetória de crescimento e identificará novas oportunidades que maximizem a criação de valor aos seus diversos públicos”, dizem os compradores, citados pelo O Globo. A compra precisa ainda do OK do regulador de concorrência brasileiro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A Alpargatas é líder no setor de calçado na América Latina. A companhia tem mais de 700 lojas no mundo, a maioria da marca Havaianas, vendendo os seus produtos em 150 mil pontos multimarcas no Brasil. Exporta para mais de cem países. Faturou 4,05 mil milhões de reais o ano passado e obteve lucros de 358,4 mil milhões de reais. Em abril, abriu em Portugal a maior flagship da Europa.

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