O que mais preocupa as empresas portuguesas? Ataques cibernéticos

As empresas portuguesas, em 2018, estão mais alerta para o papel que a gestão de riscos deve ter dentro das suas organizações.

Os ataques cibernéticos estão a preocupar os empresários portugueses: 57% das empresas nacionais de 22 setores de atividade ouvidas pelo estudo “A Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos 2018”, elaborado pela consultora Marsh, garantem que este é o principal risco que vão enfrentar em 2018.

Seguem-se, na lista de riscos identificados pelas empresas, a instabilidade política ou social (40%), os eventos climáticos extremos (32%), a retenção de talentos (32%), a concorrência (28%) e o roubo ou fraude de dados 19%).

Olhando para a a evolução dos resultados do estudo nos últimos três anos, as principais alterações de destaque são: o desaparecimento, em 2018, das crises financeiras/crises fiscais e dos ataques terroristas do top5; a subida dos ataques cibernéticos; o aparecimento, pela primeira vez, dos eventos climáticos extremos e do roubo ou fraude de dados; e o reaparecimento do risco de retenção de talentos, ausente desde 2015.

A nível mundial, estas mesmas empresas consideram que os ataques cibernéticos em grande escala (que este ano subiram de novo ao primeiro lugar), os ataques terroristas em larga escala, os eventos climáticos extremos, as crises de água, as crises fiscais e financeiras em economias chave e as catástrofes naturais, serão as principais preocupações em 2018.

“O destaque dos riscos tecnológicos é um dos reflexos dos impactos que o mundo e as organizações viveram, com os ataques cibernéticos de 2017, como o WannaCry, bem como a divulgação de casos de roubo ou fraude de dados e a implementação em maio do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD)”, comenta Fernando Chaves, especialista de Risco da Marsh Portugal.

Fernando Chaves, acrescenta ainda que “a tendência do aumento da preocupação relativa a riscos ambientais, aparece após um ano caracterizado pelo forte impacto de furações, temperaturas muito elevadas, como o quente verão que Portugal atravessou e com a longa e grave época de incêndios, seguidos da seca extrema e da crise de água.”

O estudo nacional da Marsh vem também demonstrar que as empresas portuguesas, em 2018, estão mais alerta para o papel que a gestão de riscos deve ter dentro das suas organizações; sendo que, 40% (face a 35% em 2017) afirma dar elevada importância a esta temática e 45% dar suficiente importância. Pela primeira vez, nos quatro anos em que a Marsh já realizou este survey, a possível opção “nenhuma importância” obteve 0% de respostas.

Em 2018, 41% das empresas respondentes afirmam ter aumentado o valor orçamentado para a gestão de riscos, o que representa uma evolução muito significativa quando comparada com 2017 e 2016, 28% e 24% respetivamente.

Este estudo, que se realiza pelo quarto ano consecutivo, contou com a participação de 170 empresas, pertencentes a 22 sectores de atividade, com diferentes volumes de faturação, bem como de número de colaboradores.

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