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O que se passa com a Uber? Agora acusam-na de ter roubado a ideia

Uber processada por "roubo" de tecnologia
Uber processada por "roubo" de tecnologia

A vida da Uber não está nada fácil. Depois de enfrentar taxistas e autoridades de diferentes países, agora está a ser acusada por um empresário por apropriação de tecnologia. A Uber nega, mas Kevin Halpern não desiste.

O empresário Kevin Halpern, que, em 2002, detinha a empresa Celluride Wireless, afirma que usava uma tecnologia de combinação de condutores e passageiros, tecnologia esta que alega ter sido roubada pela Uber.

Halpern afirma que desenvolveu e tecnologia de base da Uber ao longo de sete anos e que, no seguimento de segredos trocados entre o próprio e o atual CEO e co-fundador da Uber, Travis Kalanick, ao longo de 2006 este terá roubado a sua tecnologia, afastando-se ao mesmo tempo de Halpern para poder fundar a empresa Uber.

Kevin Halpern, que apresentou queixa no Supremo Tribunal de São Francisco, nos EUA, diz ainda que “compartilhou os detalhes da sua empresa e o que estava a desenvolver, com Travis Kalanick, quando ambos trabalhavam em empresas vizinhas, em 2006”

“Kalanick foi muito bom a ganhar a minha confiança” diz Halpern num vídeo colocado no Youtube, no qual explica a suposta apropriação da sua ideia por parte do CEO da Uber.

Halpern afirma que ele e Kalanick debateram sobre a “enorme oportunidade de negócio no mercado de transporte privado, e que ele não tinha qualquer ideia sobre o assunto na altura”.

O queixoso refere agora que a Uber lhe deve mais mil milhões de euros em danos, alegações que que já fez um porta-voz da Uber vir a público referir que as afirmações de Halpern “não têm bases” e prometem que defenderão “vigorosamente contra elas”.

Uber desmente

Um porta-voz da empresa negou todas acusações, afirmando que “são completamente infundadas. E nós vamos defender-nos”

A Uber foi fundada em 2009, é um aplicativo para telemóvel, lançado em 2010, que possibilita a qualquer pessoa, em qualquer parte, um acesso rápido a um meio de transporte um automóvel, conduzido por motoristas que se inscrevem no site

De referir que não é a primeira vez que uma empresa tecnológica enfrenta processos por apropriação de tecnologia, aconteceu já, por exemplo, com produtos do Google, com o Facebook e com o iPhone da Apple.

A “guerra” com taxistas

A vida da Uber não tem sido fácil. É verdade que muitos são defensores deste serviço, tendo manifestado a sua oposição à proibição do serviço em Portugal, por exemplo, mas os taxistas em muitas das cidades onde a empresa se instalou protestaram e em muitos casos as autoridades deram-lhes razão, proibindo a sua existência.

Numa cronologia simples é possível verificar os percalços desta empresa que presta um serviço de transporte privado, através de uma aplicação. A empresa funciona em mais de 150 cidades, mas também já foi proibida em várias, nomeadamente nos estados da Florida e Nevada.

EUA – Em 2014 nas ruas de Nova Iorque o número de automóveis do Uber já ultrapassa o dos táxis amarelos, reconhecidíssimos naquela cidade.

SUÍÇA – Em março do ano passado, em Genebra os serviços da Uber foram considerados ilegais e proibídos. A companhia lançou uma petição online quase de imediato, apelando à liberalização das leis do mercado de táxis.

FRANÇA– Também em março os tribunais permitiram, que a Uber continuasse a fornecer o UberPop, que é um serviço de baixo custo, que não funciona com motoristas. A companhia continua a operar em sete cidades de França.

BÉLGICA – Chegou a Bruxelas no final de fevereiro de 2014, mas em abril um tribunal proibiu o seu uso no território.

HOLANDA – Em janeiro, a empresa foi multada em 10 mil euros por manter a funcionar o aplicativo para UberPop.

JAPÃO – Em fase de testes na cidade de Fukuoka, desde fevereiro, a empresa foi proibida, em março, com as autoridades a consideraram que ela viola as leis nacionais.

ALEMANHA – A Uber chegou em 2013 mas em setembro do ano seguinte já estava proibido, apesar da medida ter sido revogada alguns dias depois. Para contornar as contestações legais, em abril de 2015 a Uber anunciou que ia acabar com o serviço UberPop.

BRASIL – Chegou, em maio de 2014, ao Rio de Janeiro, e expandiu-se para São Paulo e outras cidades. Esta semana, a justiça determinou a manutenção do serviço, contrariando a decisão de proibição dada anteriormente por um tribunal.

PORTUGAL A 22 de abril de 2015 o Tribunal da Relação de Lisboa proibiu a empresa de atuar em território nacional, aceitando uma providência cautelar da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL). A empresa já anunciou que vai recorrer para o tribunal da Comissão Europeia.

Uber responde

Em abril a empresa norte-americana voltou a apresentar queixa junto da Comissão Europeia, desta vez contra Espanha, depois de ter feito o mesmo contra França e Alemanha, países que proibiram a empresa de atuar nas suas cidades.

A Comissão Europeia já se pronunciou no passado sobre serviços como os disponibilizados pela Uber. Bruxelas não se opõe às possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias, mas considera que estas devem funcionar com base no respeito das leis europeia ou dos respectivos Estados-membros.

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