Telecomunicações

Obrigações PT Finance. Conselhos para o investidor

Fotografia: Nacho Doce/Reuters
Fotografia: Nacho Doce/Reuters

Mais de 19 mil investidores subscreveram a emissão de 400 milhões de euros em obrigações feita pela PT Finance, hoje na Oi

A 26 de julho a Oi não vai realizar o reembolso de mais de 231 milhões de euros aos pequenos subscritores que em 2012 subscreveram uma emissão de 400 milhões da PT Finance.

O pedido de recuperação judicial da Oi, operadora onde a Pharol tem 25,2%, ditou este desfecho. Saiba alguns cuidados a ter nesta fase.
Não vender já no imediato
Depois do incumprimento no próximo dia 26 que alternativas restam aos obrigacionistas? André Gouveia, economista da Proteste da Deco, aconselha prudência. “Para já é esperar. Neste momento, a CMVM tem suspensa a negociação dos títulos da PT Finance, portanto não pode vender em bolsa. E vai ter dificuldade em encontrar um comprador fora de bolsa.” Vender, mesmo depois de levantada a suspensão, poderá acarretar grandes perdas. O mais prudente é esperar pelo desenrolar da recuperação judicial da operadora no Brasil e por detalhes da oferta da Oi.

Esperar pela recuperação
O pedido de recuperação judicial já foi aceite pelo Tribunal do Rio de Janeiro que aguarda que a Oi apresente o plano de reestruturação da dívida que quer negociar com os credores. “Mas uma empresa que reestrutura a sua dívida não dá zero aos credores”, salienta André Gouveia, da Proteste/Deco. O poder de negociação dos grandes fundos, alguns acionistas da Oi, pode funcionar a favor dos pequenos investidores, destaca António Macedo Vitorino, da Macedo Vitorino & Associados.

Avançar com ações?
Avançar sozinho com uma ação não é aconselhável. “Os pequenos investidores têm um problema extra: quando é que há expectativa de recuperar algo do que investiu e que custos isso irá acarretar”, comenta André Gouveia. Uma ação coletiva com outros obrigacionistas permitirá diluir os custos, mas mais uma vez é uma questão do pequeno investidor analisar o valor que investiu e as custas que poderão ser associadas à sua recuperação. André Gouveia destaca que 5500 investidores subscreveram entre 0 e 5 obrigações e 12 600 entre 5 a 50. Ou seja, montantes de investimento que oscilam entre 5 e 50 mil euros.

E para o futuro?
Cuidados redobrados. “Maioria das pessoas não lê a bula dos medicamentos, mas ela está lá. As pessoas não leem os prospetos onde estão os riscos, mas eles estão lá”, realça Filipe Garcia, economista da IMF. “Tal como as pessoas não se automedicamentam, e quando têm um problema vão a um especialista, no caso de aplicações de aforro têm de fazer o mesmo”, diz. “Devem consultar um intermediário financeiro qualificado e procurar aconselhamento. Mesmo com todos os cuidados pode correr mal, mas não corre por má informação.”

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Lisboa Fotografia: Rodrigo Cabrita / Global Imagens

Medidas do Banco de Portugal para travar riscos no imobiliário são “adequadas”

Lisboa Fotografia: Rodrigo Cabrita / Global Imagens

Medidas do Banco de Portugal para travar riscos no imobiliário são “adequadas”

O ministro das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Finanças destacam período de crescimento mais sustentável das últimas décadas

Outros conteúdos GMG
Obrigações PT Finance. Conselhos para o investidor