Mobilidade partilhada

Ofo. Unicórnio das bicicletas está à beira da falência. Saiu de Portugal em maio

Empresa chinesa está avaliada em mil milhões de dólares e realiza 30 milhões de viagens por dia. Foto: Ofo
Empresa chinesa está avaliada em mil milhões de dólares e realiza 30 milhões de viagens por dia. Foto: Ofo

Empresa chinesa de partilha de bicicletas não tem dinheiro suficiente para as suas despesas e para devolver as cauções pagas pelos utilizadores.

A empresa chinesa de partilha de bicicletas Ofo, que tem operação em Portugal, está com “imensos problemas” de liquidez e a considerar declarar insolvência, revelou esta quinta-feira o fundador da empresa, Dai Wei. A plataforma fundada na China em 2014 chegou a Portugal no final de outubro de 2017, com a partilha de 50 bicicletas no concelho de Cascais, mas desapareceu meio ano depois.

A apresentação da Ofo foi mesmo apadrinhada na altura pela câmara municipal e contou mesmo com a presença de Zhang Yanqi, um dos fundadores da plataforma chinesa. Na altura, a startup já tinha estatuto de unicórnio, porque tinha uma avaliação de mercado superior a mil milhões de dólares (877,4 milhões de euros).

“A Ofo estava a testar a integração na nossa plataforma de mobilidade, a MobiCascais. Só que desde abril/maio nunca mais ouvimos falar deles. Não colaboraram connosco porque o sistema deles não era compatível com o nosso”, indicou fonte oficial do município ao Dinheiro Vivo esta quinta-feira.

Em outubro de 2017, a empresa chinesa já estava a ponderar crescer para outras cidades de Portugal. Lisboa seria uma das principais apostas, e até implicaria a existência de um novo modelos de bicicletas, com sistemas de assistência elétrica.

Um ano depois, o cenário da empresa, a nível mundial, é totalmente diferente. “Os problemas de liquidez da empresa agravaram-se”, escreveu Dai Wei, fundador da empresa, numa carta aos funcionários, citada pela imprensa. “Já pensei inúmeras vezes (…) dissolver a empresa e declarar insolvência”, afirmou.

As firmas chinesas de partilha de bicicletas, incluindo a OFO e a rival Mobike, revolucionaram nos últimos anos o transporte nas cidades do país, ao distribuir mais de 20 milhões de bicicletas.

Fundada em 2014, a OFO angariou já mais de 2,2 mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros) junto dos investidores, e expandiu as suas operações além-fronteiras.

Problemas com depósitos

A Ofo é incapaz neste momento de cumprir com encargos mensais de 25 milhões de dólares (22 milhões de euros) em salários. “Durante este ano, sofremos imensos problemas de liquidez: devolver os depósitos aos usuários, pagar dívidas aos fornecedores. De forma a manter a empresa a funcionar, por cada renminbi [moeda chinesa] investido tínhamos que ganhar três”, descreveu.

As notícias sobre a debilidade da firma levaram milhões de utilizadores da aplicação a pedir o reembolso dos seus depósitos, de 99 yuan (12,5 euros), que a empresa está agora a tentar processar. Dai Wei atribuiu as dificuldades da empresa ao facto de “não ser capaz de avaliar corretamente as mudanças externas, a partir do ano passado”.

Segundo a imprensa chinesa, milhares de utilizadores dirigiram-se à sede da empresa para receber o montante dos depósitos. As autoridades locais colocaram mesmo Dei Wei numa lista negra de credores, que o impede de gastar dinheiro com a compra de bilhetes de avião ou a dormida em hotéis de luxo.

A Ofo está ainda sob pressão dos fornecedores: em setembro, a empresa foi processada por um fabricante de bicicletas por falhar pagamentos superiores a 10 milhões de dólares.

Empresas sem pedalada

O mercado das bicicletas partilhadas tem sofrido problemas nos últimos meses. Em Portugal, a empresa de Singapura oBike esteve menos de um mês nas ruas de Lisboa porque o município liderado por Lisboa não tinha recebido qualquer comunicação sobre o início de atividade desta plataforma na cidade. A suspensão da atividade, decretada em março, acabou por se tornar definitiva porque estas bicicletas nunca mais foram vistas na capital.

A rival Mobike foi comprada em abril deste ano pela gigante chinesa de entrega de comida ao domicilio Meituan, por 3,7 mil milhões de dólares (mais de 3,2 mil milhões de euros), enquanto outro competidor, o Bluegogo, entrou em falência no ano passado, mas foi comprado pela empresa de transporte privado Didi Chuxing, a Uber chinesa.

 

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