aviação

OGMA prepara-se para contratar mais técnicos de manutenção

A OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal  completa 100 anos na sexta-feira com uma cerimónia em que estarão presentes embaixadores de mais de 30 países, o que reflete o vasto leque de clientes da empresa. As antigas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), hoje Indústria Aeronáutica de Portugal, ocupam uma área superior a 440.000 metros quadrados, dimensão territorial idêntica à do Estado do Vaticano, 25 de junho de 2018. (TIAGO PETINGA/LUSA)
A OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal completa 100 anos na sexta-feira com uma cerimónia em que estarão presentes embaixadores de mais de 30 países, o que reflete o vasto leque de clientes da empresa. As antigas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), hoje Indústria Aeronáutica de Portugal, ocupam uma área superior a 440.000 metros quadrados, dimensão territorial idêntica à do Estado do Vaticano, 25 de junho de 2018. (TIAGO PETINGA/LUSA)

Receitas da OMGA - Indústria Aeronáutica de Portugal cresceram 1,5 milhões de euros em 2017 para 197 milhões de euros.

A OGMA — Indústria Aeronáutica de Portugal registou no ano passado um volume de negócios de cerca de 197 milhões de euros, um crescimento de 1,5 milhões face a 2016, disse esta quarta-feira à agência Lusa o presidente da empresa. Marco Tulio Pellegrini revelou também que a OGMA precisa de recrutar técnicos de manutenção para crescer.

“O mercado de aviação comercial, manutenção de aeronaves civis e de defesa é bastante promissor”, disse, em entrevista à Lusa, em vésperas do centenário da empresa.

O gestor brasileiro considerou que em Portugal existe a mão-de-obra de que a empresa precisa, “talvez transferindo de uma empresa para outra”, e elogiou os profissionais portugueses que encontrou. “Os técnicos são muito bem formados, o corpo técnico em Portugal é muito bom, os engenheiros são muito bons, não devem absolutamente nada a outro país”.

Por outro lado, referiu, “têm uma capacidade de comunicação”, sendo comum um engenheiro ou um técnico tem capacidade para falar mais do que uma língua, entre francês, inglês e espanhol.

Questionado sobre a área que precisa mais de técnicos, o responsável pela empresa citou a manutenção de aviação comercial, onde o mercado tem crescido na ordem dos 5% a 10% ao ano.

“A TAP é um exemplo de uma empresa que vem crescendo ao longo do tempo e onde tem sido gerada a maior procura de novos mecânicos”, declarou.

A OGMA completa 100 anos na sexta-feira com uma cerimónia em que estarão presentes embaixadores de mais de 30 países, o que reflete o vasto leque de clientes da empresa.

As oficinas são uma espécie de Nações Unidas da aviação civil e militar, com aeronaves dos mais diversos países, seja na vertente civil ou militar, estejam em paz ou conflito, tenham ou não relações diplomáticas.

“É essa a magia da aviação”, confessou o gestor, acrescentando que a empresa tem centenas de clientes das várias regiões do mundo. “Eu diria que de todos os continentes temos clientes”.

No dia que assinala o centenário, a história da OGMA será recordada com a apresentação de um vídeo, a edição de um livro e uma homenagem ao funcionário mais antigo que passou pela empresa, contratado em 1943, avançou Pellegrini, que espera também a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Está igualmente prevista a inauguração de um centro histórico no local onde nos anos de 1920 foi construído um hangar específico, com o teto em madeira, para a manutenção de balões.

Hoje os clientes da OGMA vêm de todo o mundo para procurar os serviços de manutenção de aeronaves ou construção de aeroestruturas, peças e componentes.

Sem revelar o plano de investimentos para o futuro porque “antes tem de ser aprovado pelos acionistas”, o CEO indicou que vê boas perspetivas de expansão no sentido da atual vocação da empresa, mantendo a vertente civil e militar.

“É uma empresa centenária, com muita competência técnica de atender clientes de todos os segmentos (…). Hoje, eu diria que a limitação para o crescimento está associada ao recrutamento de mão-de-obra especializada”, declarou.

Juntamente com o Estado português, Marco Pellegrini tenciona avaliar como pode ser preparada essa mão-de-obra para “atender a OGMA e demais operadores do mercado português”.

O executivo manifestou-se favorável à ideia defendida pelo presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, para um maior aproveitamento da pista existente no local, no sentido de criar um aeroporto geral, combinando a vertente civil com a militar: “Seria benéfico para toda a sociedade”.

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