Telecomunicações

Oi admite negociar capitalização ainda durante a recuperação

Foto: REUTERS/Sergio Moraes
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Operadora revê posição depois de plano de recuperação não ter agradado a obrigacionistas e bancos credores

A Oi decidiu iniciar conversas para uma capitalização da operadora brasileira, ainda no âmbito do plano de recuperação judicial da empresa a braços com uma dívida de mais de 65 mil milhões de reais, na qual a portuguesa Pharol é a maior acionista.

“Consideramos que essa é uma conversa possível, desde que o dinheiro seja para a empresa e não para os credores”, disse Marco Schroeder, CEO da Oi, em entrevista à Valor Econômico.

A posição representa um volte face na estratégia até aqui defendida pela companhia, com Schroeder até recentemente a defender que a entrada de novos acionistas na empresa deveria acontecer após a recuperação judicial, pois isso iria tornar ainda mais complexo o processo. Uma mudança que surge no momento em que a companhia está sob pressão, com o governo a admitir uma possível intervenção na Oi depois de o plano de recuperação aprovado pelo conselho de administração da operadora não ter agradado aos credores institucionais, nem aos bancos.

O plano de capitalização é visto por Schroeder como um potencial ponto de união entre credores e acionistas. “Não há hipótese de que os credores e acionistas não consigam chegar a um acordo. Vamos viabilizar o diálogo em busca de uma equação possível que destrave o processo”, diz Schroeder.

Schroeder não avança valores para a capitalização, mas segundo a Valor Econômico, poderá ser entre os 2 e os 3 mil milhões de dólares, montantes que coincidem com os declarados pelos interessados na Oi.

Leia ainda: Credores da Oi propõem-se comprar a empresa

O grupo de credores representado pela Moelis, que se associaram ao milionário egípcio Naguib Sawiris, já tinham manifestado interesse em injetar capital na Oi. Mas o modelo proposto era um pouco diferente, e implicava pagar mais barato pela sua posição na Oi.

Schroeder defende que o dinheiro não seja para os credores e que as ações tenham um preço competitivo, e quanto mais próximo do valor em Bolsa melhor, para atrair interessados. E dependendo do momento de mercado, o CEO não descarta a possibilidade de avançar mesmo sem um compromisso firme de fundos interessados em investir na Oi.

No Governo a possibilidade apresentada por Schroeder foi vista com bons olhos. “Não tem como uma iniciativa dessa ser malvista. A capitalização vai na linha de solução de mercado que esperamos. Mas, para o aumento de capital ser viável, a companhia terá que convencer investidores que estão diante de um projeto bem sucedido”, disse o secretário das Telecomunicações, André Borges, citado pela Valor Econômico.

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