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Onofre: “Se não temos cuidado vamos tornar-nos o outlet da Europa”

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Efeitos da globalização preocupam Luís Onofre. Justiça morosa impede recurso a tribunal nos casos de cópias e falsificações

Luís Onofre acaba de abrir a sua loja online. Uma aposta de sucesso alojada no seu site oficial, como forma de tentar combater as ameaças à marca a partir da Ásia, mas não só. “Hoje, qualquer pessoa pode abrir um site e vender os mesmos produtos a qualquer preço. O que pode ser muito prejudicial para quem quer impor uma marca”, defende.

 

Vivem-se “tempos difíceis”, garante o estilista, que se mostra preocupado com a existência de grandes grupos de origem chinesa a comprar grandes quantidades de artigos de luxo e a obter, por isso, enormes descontos no preço, e que depois os colocam à venda em Portugal muito abaixo do valor de mercado. “É uma situação gravíssima. Estão a dar cabo do negócio e a fazer concorrência desleal às lojas que vendem o produto ao seu preço normal”, refere, dando o exemplo da loja Terminal, que abriu em dezembro em plena Baixa do Porto, e na qual é possível encontrar “marcas de luxo a metade ou a menos de metade” do preço.

“É um absurdo. Corremos o risco de nos tornarmos o outlet da Europa. A globalização tornou o mercado muito complexo, temos de estar atentos a quem vendemos os nossos artigos”, diz Onofre, que se mostra aliviado por não ter chegado a fechar negócio com os proprietários da dita loja portuense, um grupo de empresários de origem chinesa que investiu cinco milhões de euros neste projeto.

As cópias e imitações dos seus produtos por fabricantes asiáticos, mas não só, é outra das preocupações de Luís Onofre. “As marcas acabam por nunca ter hipótese de verem resolvidas estas questões em tribunal porque a Justiça é muito lenta”, defende o empresário nortenho, que admite ser copiado até em Portugal. “Há uma grande companhia portuguesa, que tem uma série de lojas, e quantas vezes passo na montra e vejo lá os meus sapatos copiados. É bom sinal, diz-se que candeia que vai à frente alumia duas vezes. Mas que chateia, chateia”, sublinha Onofre, que se assume “triste e angustiado” sempre que vê o seu trabalho criativo “apropriado por outros”.

Razão por que elogia a decisão de grandes casas como a Tom Ford ou a Burberry que decidiram adiar os desfiles e passar a disponibilizar as suas coleções nas lojas logo após a apresentação nas passerelles internacionais. “A Europa tem de se proteger. Quanto mais cedo se fizerem os desfiles, mais tempo lhes dá para que nos copiem e, por vezes, cheguem às lojas antes de nós”, diz Onofre, que lembra que neste momento estão a arrancar as vendas das coleções de Primavera-Verão 2016, quando nos desfiles se estão já a apresentar as propostas para a estação seguinte, de Outono-Inverno. “Faz todo o sentido apresentar a coleção que vai entrar em venda, porque é isso que interessa às pessoas”, salienta.

A marca Luís Onofre foi criada em 1999, mas a ligação do estilista e empresário de Oliveira de Azeméis ao calçado tem já um longo historial familiar. Onofre é a terceira geração na Conceição Rosa Pereira, empresa constituída pelos seus avós em 1939, e cuja fábrica serviu de inspiração para a novela ‘Sol de Inverno‘, da SIC.

De entre as muitas famosas que não resistem aos sapatos Luís Onofre, destaque para nomes como Michelle Obama, Laetizia Ortiz, Genoveva Casanova ou Penélope Cruz e Naomi Watts.

Em 2015, Luís Onofre faturou cerca de 10 milhões de euros, uma quebra da ordem dos 12% face ao ano anterior. O resultado do descalabro do mercado russo, um dos mais importantes para a marca, e que teve efeitos em vários outros países da Europa. “Os russos compravam muito não só no país, mas no sul de França, na Grécia, nas zonas balneares em Espanha. Sentiu-se um pouco por todo o lado”, explica.

As exportações da marca Luís Onofre valem 92%, com especial destaque para Espanha, França, Itália, Holanda, EUA, China e América do Sul, entre outros.

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