Energia

OPA à EDP: Acionistas da elétrica decidem o futuro da operação

António Mexia, CEO da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes
António Mexia, CEO da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes

Acionistas têm que se pronunciar sobre a alteração dos estatutos da sociedade para acabar com a limitação dos direitos de voto a 25% do capital.

A assembleia-geral de acionistas da EDP, que se realiza hoje, pode pôr um ponto final na oferta pública de aquisição (OPA) da China Three Gorges (CTG) sobre a elétrica, se for chumbada a proposta de desblindagem dos estatutos.

Depois de deliberarem sobre as contas e a aplicação dos resultados de 2018, no ponto nove da ordem dos trabalhos os acionistas da EDP têm que se pronunciar sobre a alteração dos estatutos da sociedade para acabar com a limitação dos direitos de voto a 25% do capital.

A introdução deste ponto na assembleia anual de acionistas por proposta do fundo Elliott, que detém 2,01% do capital da EDP, prevê que, “caso a deliberação não obtenha uma maioria qualificada de dois terços dos acionistas presentes na assembleia-geral anual […], o limite de voto permanecerá em vigor”.

“Tal resultado deve não só permitir o fim imediato da oferta na sua forma atual, como também proporcionar à sociedade a certeza necessária para planear o futuro”, sublinha o fundo na proposta de adenda que foi aceite pelo vice-presidente da mesa da assembleia-geral, Rui Medeiros, em 01 de abril.

Entretanto, na segunda-feira, a CTG esclareceu que se mantêm em vigor todas as condições da OPA, incluindo a desblindagem de estatutos, pelo que sem ‘luz verde’ a operação não avança.

Na carta enviada pelo presidente da CTG Europe, Wu Shengliang, divulgada na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo chinês diz ainda que “respeitará as decisões adotadas pelas autoridades e pela assembleia-geral” e afirma que permanecerá como investidor estratégico “de longo prazo da EDP”, independentemente do resultado final da oferta.

A OPA feita à EDP pela CTG, empresa estatal chinesa que já detém 23,27% da elétrica portuguesa, foi anunciada em maio de 2018 e prevê uma contrapartida de 3,26 euros por ação.

Antes da votação que decide o futuro da oferta, os acionistas deliberam sobre a eleição do gestor Luís Palha da Silva para presidente da mesa da assembleia-geral da EDP até 2020, substituindo António Vitorino, que renunciou ao cargo no ano passado.

Na ordem do dia estará também a proposta do Conselho de Administração da EDP de manutenção do dividendo aos acionistas relativo a 2018 nos 19 cêntimos por ação.

A EDP fechou 2018 com lucros de 519 milhões de euros, um recuo de 53% face aos 1.113 milhões de euros em 2017.

À porta da sede da EDP, na Avenida 24 de Julho, em Lisboa, onde os acionistas se reúnem a partir das 15:00, decorre uma ação convocada pela Fiequimetal, para “exigir a valorização das carreiras, em especial dos trabalhadores mais recentes, e dar força às negociações”.

Os sindicatos dos trabalhadores da EDP e a administração chegaram já este ano a acordo para um aumento salarial de 1,2% em 2019, em todas as bases remuneratórias, e um prémio de produtividade de 200 euros.

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