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OPA ao Dia. Acionistas minoritários podem bloquear operação

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Há uma semana, apenas 3% do capital tinha aceitado as condições da OPA, quando é necessária a aprovação de 35,5% para o sucesso da operação.

A LetterOne, principal acionista da dona do Minipreço, está preocupada com o fraco apoio que tem dos acionistas minoritários da empresa que poderá levar ao bloqueio da OPA (Oferta Pública de Aquisição) lançada sobre o grupo de supermercados, indica o Cinco Días.

O fundo liderado pelo milionário russo Mikhail Fridman definiu como objetivo convencer todos os acionistas minoritários, nos seis dias que restam (prazo para aprovação da OPA termina a 30 de abril), de que a sua oferta é a única opção que garante a sobrevivência da companhia. Fontes próximas da operação indicam que o fundo tem consciência de que a sua proposta foi recebida com desconfiança pelos acionistas com menores participações no Dia, que representam 20% do capital.

A mensagem que Fridman pretende passar é a de que ou a OPA é aceite ou o grupo de supermercados segue para a falência. “Se a OPA fracassar, o conselho de administração ver-se-á obrigado a optar entre a insolvência e a reestruturação completa. Nesse cenário, não há nenhum caminho claro para recapitalizar o Dia e restaurar a liquidez”, aponta a LetterOne num documento apresentado aos analistas a que o jornal espanhol teve acesso.

Há uma semana, apenas 3% do capital tinha aceitado as condições da OPA, quando é necessária a aprovação de 35,5% para o sucesso da operação.

A LetterOne considera justo o preço de 0,67 euros por ação oferecidos, argumentando a deterioração do negócio do Dia, que durante o primeiro trimestre viu cair 4,4% as vendas comparadas e registou um EBITDA “abaixo do esperado”. Fridman afirma até que o valor real das ações do grupo é de apenas 0,23 euros.

A 7 de maio será anunciado o resultado da OPA, um dia depois a LetterOne espera encerrar a operação e a 10 de maio liquidar todo o processo. Os prazos são apertados, mas antes de dia 20, espera-se que a empresa esteja salva da dissolução com a injeção de capital de 500 milhões de euros que Fridman prometeu após o sucesso da operação.

Se a situação não ficar resolvida, o grupo deve solicitar um pré-concurso dos credores. Cenário que já tinha sido alertado pelo CEO do dono do Minipreço. “Há um alto risco de que o Dia não tenha tempo necessário para (…) restaurar adequadamente os seus próprios fundos e ter a liquidez necessária para o curso dos seus negócios e, portanto, está sujeito a um processo de reestruturação da sua dívida e até mesmo a um processo de falência ou dissolução da empresa”, indicou numa carta dirigida aos acionistas.

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