OPA BPI. Minoritários exigem subida do preço para mínimo de 2,26 euros

ATM, que representa 4% do capital do BPI, promete abrir guerra com várias frentes e esteve reunido ontem com a CMVM. Estado também será processado

A Associação de Investidores e Analistas Técnicos (ATM), representante de vários acionistas minoritários de cotadas como o BPI, calcula que a contrapartida mínima da oferta pública de aquisição (OPA) lançada pelo CaixaBank deveria ser de 3,15 euros por ação, valor que compara com os 1,134 euros atualmente em cima da mesa. Contudo, admitem a viabilização da OPA por 2,26 euros por título.

Em conferência de imprensa realizada esta manhã, Octávio Viana, da ATM, apontou que os 2,26 euros por ação são um preço mais em linha com as expectativas dos acionistas minoritários que representa - cerca de 4% do capital -, valor em que a própria administração do banco chegou a avaliar o BPI. E se o preço não for alterado, a ATM promete abrir uma guerra jurídica com várias frentes - incluindo contra o Estado.

"Caso surjam procedimentos jurídicos, e se não houver revisão da contrapartida, ou a nomeação de um auditor independente

vamos impugnar a OPA com toda a força possível, e estes procedimentos cautelares podem demorar até um ano. E se tal se verificar? O BCE vai atuar e quem vai perder? CaixaBank, o maior acionista, depois a Santoro e por fim todos os acionistas minoritários. Todos vão perder valor", referiu Octávio Viana.

Ou seja, "para bem de todas as partes, a resolução do problema terá que passar por subida do preço da oferta", sintetiza a associação que representa acionistas minoritários do BPI, entre institucionais, empresas e particulares, que "valem" 4% do capital.

Subir preço, porquê?

O argumento essencial da ATM para exigir uma revisão da contrapartida na OPA prende-se com o negócio fechado entre o BPI e a Santoro, de Isabel dos Santos, para a entrega de 2% do capital do Banco Fomento Angola à Unitel, de Isabel dos Santos. Esta venda representou a entrega do controlo à empresária angolana e permitiu igualmente desbloquear o impasse entre Santoro e CaixaBank, com o avanço da desblindagem dos estatutos do BPI.

O representante dos acionistas minoritários lembrou que o negócio foi fechado por 28 milhões de euros, "em contrapartida de Isabel dos Santos votar favoravelmente no sentido dos estatutos do BPI deixarem de conter as limitações à contagem de votos". Mas este preço, porém, não reflete o prémio de controlo, defendem os minoritários. Prémio esse que "deve ser partilhado com todos os acionistas". Para a ATM, este prémio vale 639 milhões de euros e Isabel dos Santos foi a única beneficiária dos mesmos.

A ATM recorda que 100% do BFA foi avaliado inicialmente em 1400 milhões de euros tanto pelo BPI como pela Unitel, apontou Octávio Viana. Depois, já no cenário em que o BPI detém apenas 48,1% do banco angolano, o valor contabilístico reconhecido pelo CaixaBank caiu para 366 milhões, o que avaliou os 100% da instituição em 760 milhões. Este valor, em relação à avaliação antes feita do BPI, representa um "desconto" de 639 milhões, o tal prémio de controlo, diz a ATM.

É deste desconto implícito dado a Isabel dos Santos na entrega do controlo do BFA, - em troca da aprovação da desblindagem do BPI em prol dos catalães, dizem -, que Octávio Viana calculou em 2,12 euros por ação o preço oferecido pelo CaixaBank à Santoro de Isabel dos Santos, "ou seja, 0,988 euros em resultado do prémio de controlo do BFA à Unitel e 1,134 euros como contrapartida da OPA a ser pago à Santoro", ambas detidas pela empresária angolana.

"Antes a posição controladora do BPI no BFA valia 1028 milhões de euros e a posição não controladora da Santoro valia 372 milhões de euros, pelo que o prémio oferecido à Santoro pela desblindagem dos estatutos do BPI e consequente viabilização da OPA é igual ao valor transferido com a transferência do controlo no BFA, e que se traduz em 628 milhões de euros, ou seja, 2,02 euros com pago com a oferta em resultado do prémio de controlo do BFA" e "1,134 euros como contrapartida da OPA a ser pago à Santoro", sintetiza a ATM - é desta soma que a ATM chega aos 3,15 euros por ação também referidos.

Consenso precisa-se

Os minoritários procuram agora que todas as partes cheguem a um entendimento em relação à contrapartida oferecida pelo CaixaBank, criticando também a gestão liderada por Fernando Ulrich pela "falta de independência" que tem demonstrado em todo este processo.

"Estamos preocupados, já transmitimos a preocupação ao regulador, tivemos ontem uma reunião com a CMVM, e o supervisor está ciente das questões, vai analisá-las. Mas concorda connosco: a resolução do problema exige um acordo alargado de todas as partes, minoritários, oferente e Santoro. Ou seja, a nosso ver terá que surgir uma subida da contrapartida de forma substancial e que agrade aos minoritários", pede a ATM.

A OPA do CaixaBank sobre o BPI está atualmente a ser analisada pela CMVM, depois do grupo espanhol ter entregue o pedido de registo da oferta no passado dia 10 de outubro.

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