paralisação em setúbal

Operestiva quer contratar novos trabalhadores para Porto de Setúbal

ANDRÉ AREIAS/LUSA
ANDRÉ AREIAS/LUSA

A empresa detida pelo grupo Yilport ameaça recrutar fora face à indisponibilidade dos estivadores precários, em protesto desde dia 5.

A Operestiva, empresa de trabalho portuário de Setúbal, admitiu esta sexta-feira que a solução para o conflito laboral que está a paralisar a movimentação de cargas naquela infraestrutura portuária poderá passar pela contratação de novos trabalhadores.

“A lei do trabalho portuário permite-nos celebrar contratos individuais de trabalho. É a livre escolha dos trabalhadores”, disse hoje, em conferência de imprensa, Diogo Marecos, gerente da Operestiva, adiantando que vai colocar anúncios nos jornais para a contratação de novos trabalhadores.

A Operestiva, empresa que assegura a contratação de trabalhadores eventuais para as empresas portuárias Sadopor e Navipor, esta última responsável pela movimentação de veículos produzidos na fábrica de automóveis da Autoeuropa, garante, no entanto, que tem preferência pelos trabalhadores eventuais que contrata habitualmente.

“Nós queremos dar preferência a estes trabalhadores [eventuais]. As condições, pelos vistos, são boas e eles reconhecem que são boas. O que nos está a separar, na nossa opinião, é só alguma falta de informação. Gostaríamos que, agora, essa informação pudesse ser mais clara e transparente e que alguns desses trabalhadores quisessem ingressar nas empresas”, disse.

Diogo Marecos referiu ainda que a proposta de trabalho, que já foi apresentada a 30 trabalhadores – mas que só dois aceitaram -, prevê o pagamento de um salário base de 1.400 euros, valor que poderá ser substancialmente superior com o trabalho extraordinário, muito frequente na atividade portuária.

Questionado pelos jornalistas, o responsável da Operestiva desvalorizou o facto de haver um grande número de trabalhadores eventuais no porto de Setúbal, salientando que se trata de uma situação comum a todos os portos, mas reconheceu que o atual rácio, de dez efetivos para 90 eventuais, já era excessivo, razão pela qual a empresa se disponibilizou para contratar de imediato 30 trabalhadores.

Diogo Marecos disse ainda que a Operestiva poderá fazer novas contratações dentro de alguns meses, se algumas das cargas perdidas devido à paralisação regressarem ao porto de Setúbal, salientando, no entanto que algumas dessas perdas poderão ser irreversíveis.

Na conferência de imprensa realizada numa unidade hoteleira de Setúbal, o responsável da Operestiva responsabilizou também o Sindicato dos Estivadores e Atividade Logística (SEAL) pelo conflito laboral, devido à convocação da greve às horas extraordinárias, que decorre até janeiro de 2019, e por, alegadamente, instigar os trabalhadores eventuais a não se apresentarem ao trabalho desde o passado dia 5 de novembro.

Os trabalhadores eventuais do porto de Setúbal, tal como o SEAL, defendem um contrato coletivo de trabalho, previamente negociado entre o sindicato e os operadores portuários.

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