Os 15 anos da Iberdrola na EDP. Uma história mais ou menos atribulada

Pina Moura preside à Iberdrola Portugal
Pina Moura preside à Iberdrola Portugal

A Iberdrola deixou, definitivamente, de fazer parte da estrutura acionista da EDP, ao fim de um período de 15 anos e dos quais a maior parte foi como segundo maior acionista com quase 10%. O processo foi espaçado no tempo e quase passou despercebido, mas ganhou força esta semana, concretizando-se um desejo demonstrado há já uns anos pela empresa espanhola.

Para o CEO da EDP, António Mexia, a saída da Iberdrola não é mais do que um reflexo da evolução natural das duas empresas, que até são concorrentes em Portugal e em Espanha. Além disso, segundo a Iberdrola já tinha dito mais do que uma vez, era objetivo da empresa vender os ativos não estratégicos.

Mas a verdade é que, nos últimos anos, surgiram algumas animosidades entre as duas empresas. Uma delas estava relacionada com o facto da Iberdrola, com os seus 9,5%, não concordar com o tecto de 5% a que estavam limitados os direitos de voto, mesmo se a empresa tivesse mais capital, o que era o caso. Além disso, também não podiam ter assento no Conselho Geral e de Supervisão – onde estão os representantes de todos os acionistas – exatamente pela mesma razão: serem uma empresa concorrente.

Esta animosidade chegou mesmo aos tribunais quando, após a venda aos chineses e ao consequente aumento do limite dos direitos de voto para 25% – que era a participação que o Estado estava a vender – a Iberdrola decidiu impugnar esta decisão, mas sem efeito.

Sair era, portanto, um desejo e vender a única opção.

A primeira transação ocorreu em 2010 quando a empresa espanhola vendeu 2,7%, baixando a sua posição de 9,5% para 6,79%. A segunda surgiu bem mais tarde, em 2013 e foram vendidos apenas 0,13%, ficando a empresa com 6,66%.

A corrida à saída surge agora, mais precisamente esta semana.

Logo na segunda-feira, a Iberdrola e a EDP anunciam ao mercado dia que foi vendido 1,664% do capital e mais 2,9%, esta tranche através de contratos de derivados que vencem apenas a 7 de maio deste ano.

Ficaram, assim, a faltar 2,1% do capital que acabaram por ser vendidos terça-feira à noite e que representaram uma mais valia de 44,48 milhões de euros para a Iberdrola.

Esta foi, assim, a segunda – e última – operação de venda, a qual teve dois momentos. Uma foi a venda de 1,979% através de uma operação de accelerated bookbuilding a investidores institucionais que rendeu 209,8 milhões de euros, a 2,90 euros por ação cujas “mais-valias ascendem a 42,08 milhões de euros”. A outra foi a venda em bolsa de 0,118% a um preço médio de 2,873 euros por ação. “As mais-valias brutas geradas ascendem a 2,4 milhões de euros”, repara a empresa em comunicado.

A estrutura acionista da EDP fica agora mais leve, mas também mais espalhada por vários e pequenos investidores. Já desde o ano passado que a Iberdrola tinha passado a ser a terceira maior acionista, depois da China Three Gorges e da espanhola Oppidum, sendo que o restante capital é detido por institucionais de vários pontos do mundo, incluindo EUA, Argélia, Qatar e claro Portugal.

Além disso, pode estar prestes a perder outro acionista de peso, o BES, que já vendeu as suas ações quase todas nos últimos meses.

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