Otovo lança-se em Portugal com subscrição mensal de energia solar

Energética norueguesa inicia oficialmente operações em Portugal esta quarta-feira. Primeira novidade: lança serviço de energia solar por subscrição. Clientes podem assinar oferta sem ter de fazer investimento inicial em equipamentos ou instalação

Depois de anunciar a entrada no mercado português em maio, a operação da Otovo no país arrancou oficialmente esta quarta-feira. O marketplace de origem norueguesa focado em instalações solares e baterias residenciais lança-se no mercado nacional com um serviço de energia solar por subscrição mensal, oferta que não obriga os consumidores a investir em equipamento.

Cerca de 54% da população portuguesa reside em casas independentes ou geminadas, tendo controlo sobre os respetivos telhados das habitações. No entanto, só 5% das casas portuguesas têm painéis solares, sendo que apenas 3,5% usa energia gerada por painéis solares. Quem procura hoje soluções energéticas através de painéis fotovoltaicos tem, na maior parte dos casos, que adquirir equipamentos e pagar pela instalação dos meses e, em alguns casos, aceitar que a energia gerada seja introduzida na rede sem ser ressarcido por isso. Ora, tendo em conta a atual crise energética com os preços numa trajetória crescente, a Otovo chega a Portugal com uma oferta que garante o fornecimento de energia, via painéis fotovoltaicos, enquanto serviço de subscrição.

No fundo, a Otovo quer democratizar o autoconsumo tornando cada um consumidor "num produtor de energia", promovendo a opção de um modelo de subscrição mensal, através do qual têm a possibilidade de aceder à energia solar em casa, sem a necessidade de investir pelo equipamento e instalação do mesmo. O custo da instalação é diluído numa mensalidade, tendo em conta o custo mais baixo apresentado por uma empresa instaladora mediante as necessidades do projeto em causa. A Otovo permite, todavia, caso seja vontade do consumidor, a aquisição de todo o sistema instalado em qualquer altura do contrato, numa data posterior ao início do mesmo.

A empresa garante ser a primeira a criar esta opção no mercado residencial português, de acordo com a sessão de apresentação da filial portuguesa liderada por Manuel Pina. Os consumidores particulares são o foco da Otovo. As ofertas também se podem adaptar a empresas, mas como já existem outras ofertas para esse segmento, que tem características diferentes e onde o autoconsumo não é o objetivo, as empresas enquanto clientes não são uma prioridade para o marketplace norueguês.

De acordo com Manuel Pina, diretor-geral da Otovo Portugal, a empresa quer contribuir para que a população de Portugal, "o segundo país da Europa que melhor pode aproveitar energia solar" - o potencial económico pode ir até aos 52%, segundo dados da empresa - tenha mais condições de acesso a energia renovável.

Garante o gestor, os consumidores vão poder, através da Otovo, poupar na fatura energética desde o primeiro mês, com a empresa a assumir a garantia sobre o equipamento e a instalação durante toda a duração da subscrição. O objetivo é permitir ao consumidor o aumento do autoconsumo "tanto quanto possível" ao torná-lo menos dependente da energia da rede, "e da volatilidade dos preços da eletricidade".

"Acreditamos que um acesso fácil e economicamente viável ao autoconsumo é a chave para ajudar as famílias a reduzir os seus custos com energia assim como a sua dependência da rede e da volatilidade do mercado", afirmou o diretor-geral da Otovo Portugal, Manuel Pina.

Algoritmo encontra a melhor oferta

Como funciona o serviço? A plataforma da Otovo, com base na morada e identificação via GPS do telhado da residência, consegue analisar o potencial da infraestrutura. Por exemplo, sem ir ao local, o algoritmo da Otovo consegue medir a inclinação do telhado e, partir daí, desenhar todo o projeto necessário para instalar painéis solares. Feita a análise, explicou Manuel Pina, o "algoritmo determina o melhor projeto" identificando uma potencial empresa instaladora. Isto é, calcula qual a melhor oferta "num leilão instantâneo", após estimar quantos painéis serão necessários, qual o nível de produção anual de energia e o nível de poupança que resultará dessa aposta, apresentando no final um fornecedor do equipamento. "Isto é feito pela plataforma em segundos", afiançou o diretor-geral da Otovo Portugal.

Ora, no final do processo, é apresentado o valor a pagar pelo consumidor - seja na modalidade de compra única (pagando tudo de uma só vez) seja através de uma subscrição mensal. A oferta apresentada pode ainda ser "personalizada" e ajustada às necessidades futuras daquele lar com apoio da equipa de consultores da Otovo.

Manuel Pina reiterou que a empresa tem tecnologia capaz de "estimar o sistema que melhor se adapta às necessidades" dos consumidores e "rapidamente" sugerir "uma assinatura ou aquisição".

Solar permite poupar 90 euros num ano, 2 500 euros em 30 anos

A empresa não deu valores de referência que permitam estimar uma média de poupança. Isto porque, "cada caso depende das necessidades" energéticas do consumidor e da eficiência energética da habitação em questão. Ainda assim, Manuel Pina deu um exemplo: um agregado de até três elementos que consuma energia apenas da rede, pagando todos os meses uma fatura de 98 euros, caso opte pelo modelo de subscrição da Otovo, pode poupar sete euros por mês. Neste exemplo, a Otovo estima que a fatura da rede baixe para os 59 euros, valor que se soma a uma prestação de 32 euros (neste caso) pelo serviço da Otovo. Ao todo, aquele agregado passa a pagar 91 euros mensais.

"[Neste caso] No final do ano, o cliente poupou quase 90 euros, pouco menos que um mês de eletricidade da rede pago a um operador. Se nós pensarmos no ciclo médio de vida dos painéis solares, que hoje em dia se estima em 30 anos, estamos a falar de uma poupança de 2 500 euros. E não estou a contabilizar o aumento do custo do quilowatt-hora, porque se aumentar o valor que o cliente paga à rede, então, esta poupança será ainda maior", argumentou.

"Este é um cenário conservador", alertou Manuel Pina, indicando que caso a família opte pela instalação de uma bateria e queira vender à rede o excedente (isto é, a energia que captou mas não consumiu) "a poupança será maior".

Um contrato de subscrição tem um período mínimo de 20 anos e o valor da prestação só pode sofrer alterações se a inflação subir. O valor contratual está indexado à inflação. O diretor-geral da Otovo reforçou que a poupança tende a aumentar "à medida que os custos de eletricidade consumida na rede aumentam e à medida que os consumidores adaptam o consumo à produção de energia solar na habitação".

Manuel Pina elencou, assim, como vantagens deste tipo de oferta o facto de a instalação de um sistema fotovoltaico não ter custos para o consumidor, haver poupança desde o primeiro mês, haver uma garantia da Otovo sobre o equipamento e instalação durante todo o contrato de subscrição (ou seja, toda manutenção necessária fica a cargo da empresa e não do cliente). Além disso, o gestor defendeu que esta solução confere previsibilidade e autonomia "sem risco técnico".

Além do modelo de subscrição mensal, se preferirem, os consumidores podem optar por adquirir numa compra única pelo equipamento solar e instalação solar. Nesse caso, no modelo de compra única, a Otovo oferece uma garantia de cinco anos para instalações, acima dos 3 anos exigidos por lei.

O que a Otovo oferece está, idealmente, pensado para habitações geminadas ou moradias independentes. Questionado, Manuel Pina, garantiu que a empresa "nunca irá negar a nenhum cliente a instalação num prédio". Contudo, referiu que no caso de prédios ou condomínios o processo é mais complexo, até porque o objetivo é gerar poupança para o consumidor. "Os prédios muitas vezes não têm a dimensão necessária para criar uma poupança no consumo das famílias. Nunca vamos negar nenhum cliente, mas queremos que sejam feitas poupanças", afirmou.

Parcerias com gigantes como EDP são possíveis

A entrada da Otovo no mercado português também poderá trazer novas oportunidades para as empresas que instalam painéis fotovoltaicos.

"Para os instaladores queremos ser a forma mais eficiente de gerar mais vendas sem custos de aquisição ou deslocação. Com a Otovo, os instaladores podem concentrar-se naquilo que fazem melhor, a instalação", acrescentou Manuel Pina, que antes de assumir a direção da Otovo Portugal liderava a Uber Portugal.

Antes do referido processo de seleção da melhor oferta, a Otovo já tem uma lista de fornecedores a entrar em ação. Para que uma empresa entre nessa lista só tem de ter a operação certificada, estar validada na plataforma da Otovo, e ceder à plataforma a estrutura de custos dos projetos solares que habitualmente concretizam. Através de auditorias às empresas instaladoras, a Otovo conseguirá definir que empresa se adapta melhor a cada tipo de consumidor.

Assim, para estas empresas, quando um serviço é fechado entre a Otovo e um consumidor, a empresa instalador da solução já tem um projeto pronto a executar.

"Queremos, desta forma, criar um ciclo virtuoso: quanta mais procura, mais propostas competitivas, mais projetos e mais instalações", afirmou Manuel Pina.

A empresa promete que, através da plataforma que desenvolve, os instaladores também vão beneficiar poupando tempo e dinheiro em angariação de novos clientes, dimensionamento e orçamentação de projetos, assim como em outros custos de marketing.

Para já, o marketplace da Otovo conta com quatro empresas portuguesas especializadas na instalação de painéis fotovoltaicos. Questionado, o diretor-geral da filial portuguesa não rejeitou a hipótese de, no futuro, vir a ter parcerias com grandes operadores como a EDP ou a Galp.

Objetivo? Ser referência nacional dentro de um ano

O objetivo último é mesmo o de tornar a Otovo numa referência nacional. "Para o primeiro ano, esperamos tornarmo-nos na primeira referência para famílias que queriam começar a produzir a sua própria energia através de sistemas de painéis solares", disse o diretor-geral da Otovo Portugal.

"A nossa proposta de valor é, precisamente, para ajudar as famílias a reduzir a sua dependência das operadores e diminuírem os seus custos de eletricidade. Sabemos que muitas outras empresas estão a oferecer soluções [painéis solares], no entanto nem todas estão de facto comprometidas em aumentar a independência das famílias da rede através do autoconsumo.

Portugal é o décimo país a receber a empresa norueguesa, cotada na Euronext Growth com uma capitalização de mercado de cerca de 350 milhões de euros Criada em 2016, a Otovo está também presente em mercados como a Noruega, Suécia, França, Espanha, Polónia, Itália e Alemanha.

Aquando do anúncio da entrada em Portugal, Andreas Thorsheim, CEO da Otovo, justificava a decisão com o facto de o país estar "na vanguarda da transição energética, com mais de 300 dias de sol por ano, portanto, um dos países da Europa que mais pode beneficiar da energia solar".

A Otovo registou em 2021 uma receita total de 80 milhões de euros, mais 200% face ao ano anterior. Atualmente, a empresa conta com dez mil clientes e 700 empresas instaladoras de painéis (quatro portuguesas). Ainda que questionado, Manuel Pina não revelou o investimento que a plataforma teve de fazer para entrar no mercado português.

Quanto a perspetivas de futuro, sem revelar números, o gestor da operação nacional acredita que o retorno será "relativamente rápido".

A empresa ainda está a consolidar a equipa nacional e a apostar na angariação de clientes e parceiros e Manuel Pina acredita que o país é "chave" para Otovo consolidar-se como líder no mercado solar residencial na Europa.

[Artigo atualizado com mais informação, pela última vez, pelas 14h]

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de