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OTT para as operadoras “é uma variante” da guerra dos taxistas com o Uber

Produção

Operadores não são favoráveis a um aumento da taxa que têm de pagar ao ICA para financiar a produção nacional audiovisual

“Não vejo objetivamente como posso chegar a um canal como a CNN e dizer que parte do conteúdo tem de ser produzido em Portugal”, diz Jorge Graça, administrador da NOS, durante o 3º encontro de Produtores Independentes de Televisão, organizado esta quinta-feira pela APIT, no CCB, em Lisboa.

O administrador da operadora que lidera em número de assinantes de televisão paga em Portugal reagia assim a uma das recomendações feitas pelo estudo encomendado pela APIT- Associação de Produtores Independentes de Televisão sobre o sector. Para Jorge Graça impor quotas de produção a canais internacionais, semelhante ao que sucede hoje com os canais generalistas em sinal aberto e os canais temáticos nacionais, é impossível. “Honestamente, não vejo como seja exequível.”

Para João Diogo Ferreira, diretor de produto de TV do Meo, faz mais sentido falar em incentivos à produção nacional, do que obrigatoriedade. “Não é por um canal ter conteúdo nacional, que os clientes vão ver. Vão se tiver qualidade”, defende.

Os operadores de telecomunicações – que oferecem todos serviços de televisão paga, subscritos até ao final do ano passado por 3,5 milhões de clientes – mostraram-se pouco recetivos ao aumento da taxa que têm que pagara ao ICA, com base no seu número de clientes, para financiar a produção nacional.

“Se aumentasse?”, reage Jorge Graça. “Enquanto operador de telecomunicações somos o sector do país mais regulado e taxado, não estamos só a falar do que tenho de pagar ao ICA”, lembra o administrador da NOS. “Não há nenhum sector em Portugal que pague mais taxas do que já pagamos. O que depois é feito com esse dinheiro é outra discussão”, continua. “Para onde vão as taxas de espectro, de direitos de passagem, entre outras que pagamos? Já percebi que não é para vocês [produtores independentes]”. “Das taxas que pagamos devia haver uma parte alocada para o sector”, reforça.

João Diogo Ferreira lembrou o papel dos operadores no lançamento, em parceria com televisões, de canais de produção nacional. “Estamos a falar de partilha de risco entre o operador e o parceiro, estamos a falar de inovação”, defende o diretor de produto de TV do Meo. “Queremos ver português porque é bom, não só porque é português.”

O desafio dos OTT para os operadores

E os serviços OTT (Over the Top) – como Netflix – não são uma ameaça ao queijo dos operadores? “Se no fim do dia, o que as pessoas querem ver é o Netflix, é para isso que cá estamos”, diz Jorge Graça, lembrando que muito anos de plataformas de serviços de video streaming o sector já enfrentava o desafio dos OTT em segmentos como a voz (Skype) ou SMS (WhatsApp). Mas, lembra o administrador, os operadores são objeto de forte regulação, taxas e têm de cumprir com questões relacionados com a privacidade de dados, situação que já não apanha os OTT.

Leia mais sobre o Netflix aqui: Netflix. “Para crescer temos que garantir que a base de clientes esteja muito feliz”

“É uma variante” da guerra dos taxistas com o Uber, admite o administrador quando questionado durante o debate.

“É importante saber o que os clientes querem ver: e os clientes querem ver o Netflix e os serviços que oferecemos. Eu tenho o meu OTT, o serviço Meo Go, que me permite ver televisão em qualquer terminal”, afirma João Diogo Ferreira, do Meo.

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