Tecnologia

OutSystems vai contratar até 250 pessoas em 2018

Entrevista a Paulo Rosado e a Pedro Pimenta da OutSystems, na sede da OutSystems, em Linda-a-Velha. Fotografia: Álvaro Isidoro / Global Imagens
Entrevista a Paulo Rosado e a Pedro Pimenta da OutSystems, na sede da OutSystems, em Linda-a-Velha. Fotografia: Álvaro Isidoro / Global Imagens

Empresa portuguesa reforça aposta na investigação e desenvolvimento para que clientes consigam acompanhar os líderes de mercado em mais de 50 países

A OutSystems prepara-se para contratar até 250 pessoas no próximo ano. A tecnológica liderada por Paulo Rosado vai continuar a acelerar a transformação digital das empresas graças ao projeto RADicalize, que recebeu o apoio do Estado português e que vai permitir que as vendas internacionais da empresa ultrapassem os 107 milhões de euros em 2019. A empresa especialista em desenvolvimento rápido de aplicações está ainda a estudar a expansão do escritório de Braga.

“Estamos a apostar bastante no nosso departamento de investigação e desenvolvimento. Em 2017, contratámos 220 pessoas e já temos 40 pessoas para entrar em 2018. À partida, tudo indica que vamos contratar entre 200 e 250 pessoas no próximo ano”, revela Paulo Rosado ao Dinheiro Vivo.

A grande maioria das contratações feita no último ano teve a ver com o projeto RADicalize. “Este sistema estende o processo OutSystems às aplicações móveis, que não estavam automatizadas; permite um reforço muito grande da gestão de aplicações utilizando a cloud; e o aumento dos pontos de contacto vindos da Internet of Things (IoT) e big data.”

O projeto começou a ser desenhado em 2015 para responder às necessidades das empresas. Com ciclos de alteração de processos “cada vez mais comprimidos”, são obrigadas a “reinventar-se drasticamente em prazos cada vez mais curtos, através de novas estratégias ou programas que tenham ativos digitais por detrás, como portais web ou aplicações móveis”.

As empresas, para conseguirem acompanhar estas mudanças, precisam de “automatizar o processo de desenvolvimento de software”. O RADicalize arrancou em 2016 e conta com uma equipa “de mais de 50 pessoas, que tem crescido conforme o desenvolvimento do projeto”, explica Pedro Pimenta, coordenador do projeto.

Com o RADicalize, a OutSystems garante que as empresas não vão precisar de recrutar tantos engenheiros informáticos. “Em vez de contratar 40 pessoas, a empresa pode precisar de contratar 15 ou 20 pessoas. Não se trata da substituição dos informáticos, mas sim do facto de possibilitar às equipas atuais conseguirem dar resposta a quatro vezes mais requisitos de negócios”, esclarece Paulo Rosado.

Avaliado em 10,4 milhões de euros, o projeto conta com o investimento do Estado e serve para “mandar uma mensagem para o país: O governo e os políticos querem colocar Portugal como um hub tecnológico e quase como um Silicon Valley da Europa.”

A tecnológica também tem contado com a ajuda das universidades e de laboratórios: um grupo de investigação que faz parte do polo INESC-TEC da Universidade do Minho e o Nova-Lincs, da Universidade Nova de Lisboa.

No próximo ano, o crescimento da empresa poderá será feito no norte do país, graças à forte ligação com a Universidade do Minho. “Ao longo do desenvolvimento do RADicalize, acrescentámos equipas no nosso escritório em Braga, onde estamos a explorar uma nova localização de desenvolvimento. É possível que tenhamos de alargar o nosso espaço”, antecipa Pedro Pimenta.

Com clientes em 54 países, a empresa sedeada em Linda-a-Velha dá emprego a mais de 600 pessoas.

Investigação de blockchain
Considerada como líder em plataformas de low-code (aplicações onde é necessário utilizar o mínimo de código possível), a OutSystems está a investigar o desenvolvimento da tecnologia blockchain, que descentraliza todos os registos de transações.

“Temos de perceber se isso é uma área que os nossos clientes alvo vão ter de evoluir ou adaptar a sua forma de funcionamento tendo em conta essas evoluções de mercado. Neste momento, não temos uma ideia concreta do que vamos fazer nesta área. É uma área que está a ser investigada”, refere Paulo Rosado.

Fora do radar estão a criação de uma criptomoeda própria – como fez a loja de aplicações portuguesa Aptoide – e uma nova ronda de financiamento. “Estamos concentrados no negócio e queremos crescer”.

3 perguntas

O líder da tecnológica OutSystems conta como vê os anúncios de abertura de centros tecnológicos em Portugal de empresas como a Uber e a Zalando.

Empresas como a Uber e a Zalando vêm para ficar em Portugal por muito tempo?
Há um problema inerente com o modelo de empresas como a Uber, que utilizam Portugal simplesmente para alavancarem a mão-de-obra barata. Tal como os postos de trabalho são criados, também podem desaparecer muito rapidamente, porque este é um modelo muito semelhante ao que era utilizado para deslocalizar as fábricas têxteis que existiam no país. Não gosto particularmente desse modelo, porque não há qualquer permanência.

Estamos a correr riscos?
Este tipo de deslocações não têm o valor da criação de centros de desenvolvimento, em que a gestão está em Portugal. Muitas vezes acontece que o topo dos departamentos de investigação está nos Estados Unidos e que aqui acabam por instalar-se grupos com níveis muito mais baixos. Isto significa que depois não há um aumento da qualidade dos perfis em Portugal. Não fica cá nada e é mais parecido com Bangalore. No modelo de Silicon Valley, há empresas, como a nossa, que acabam por ter áreas críticas, como a gestão de produto, de marketing e de tecnologia sedeadas em Portugal e que obriguem a ter recursos estrangeiros a mudar-se para Portugal. Isso tem muito mais interesse, até porque este país é muito atrativo para emigrar. As pessoas ficam aqui e começam mesmo a criar startups.

Este Governo está a fazer o trabalho certo na captação e retenção de talento tecnológico?
Tem sido uma estratégia relativamente consistente e de vários governos. A relação das universidades com o Carnegie Mellon ou o MIT, a Web Summit e o ensino de inglês a partir do primeiro ano de escolaridade são três fatores que ajudam Portugal. Como não temos agricultura nem indústria, somos um país de serviços com um mercado muito pequeno e que leva sempre as empresas a irem para o estrangeiro.

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