Padaria Portuguesa

Padaria Portuguesa: “Espírito de equipa vale muito mais do que salário base”

Nuno Carvalho, sócio gerente da Padaria Portuguesa, na nova fábrica da empresa, em Marvila. Fotografia: PAULO SPRANGER/Global Imagens
Nuno Carvalho, sócio gerente da Padaria Portuguesa, na nova fábrica da empresa, em Marvila. Fotografia: PAULO SPRANGER/Global Imagens

Ainda assim, a empresa vai contratar mais pessoas ao longo dos próximos meses para conseguir atingir o objetivo de 70 lojas até ao final de 2019.

Nuno Carvalho refere também que a introdução de uma taxa sobre os produtos com elevado teor de sal não vai ter qualquer impacto sobre a empresa e sobre os clientes. Esta é a segunda parte da entrevista do sócio gerente da Padaria Portuguesa após a visita à nova fábricapode ler aqui a primeira parte da entrevista.

Em setembro publicaram um anúncio para contratar 550 pessoas. Como está este processo?

As pessoas não vão entrar todas ao mesmo tempo. Comunicámos ao mercado de trabalho o interesse em recrutar e entrevistar pessoas, que serão integradas aos poucos com a devida formação.

Estas 550 pessoas vão entrar até quando?

Começam a trabalhar até ao final do primeiro trimestre de 2018 e respondem às nossas necessidades de crescimento até final de 2019.

Quanto ganha uma pessoa que entra na Padaria Portuguesa sem experiência profissional?

Ganha o nosso ordenado base, que são 580 euros. Também tem direito a um prémio de desempenho.

Foi bastante criticado no início do ano por causa das leis laborais. Como motiva os funcionários que chegam à Padaria Portuguesa a ganhar 580 euros?

Esse é que é o desafio: gerir uma organização que já tem mais de 1200 pessoas é muito mais do que é exigido legalmente do ponto de vista salarial. Apresentamos um plano de integração e de formação, damos oportunidades de carreira – vários chefes de fábrica entraram como operários a ganhar 580 euros e recebem três vezes mais agora. Também temos uma série de regalias. Fazemos investimento a sério nas pessoas: uma vez por ano juntamos todos os trabalhadores num arraial de verão e fechamos as lojas mais cedo. Mensalmente, reunimos com as equipas de gestão de loja, de forma absolutamente informal, fazemos um piquenique no jardim da Estrela, onde ouvimos inputs sobre o negócio, até mesmo sobre políticas salariais. Cada vez que nasce um bebé, oferecemos um creme e um babygrow e escrevo um postal de aniversário personalizado a cada um dos trabalhadores. Temos estes cuidados. Somos muito informais e tratamos as pessoas como pessoas. Criamos um espírito de equipa que vale muito mais do que a remuneração base. Isto é o que nos faz ser uma grande empresa. Atender 40.000 pessoas todos os dias com funcionários insatisfeitos não seria possível.

E que mais está previsto para os trabalhadores da empresa?

Temos meia dúzia de projetos na calha. Um deles é a criação de uma academia de formação, que vai dar ainda mais instrumentos de trabalho aos nossos funcionários e que gostaríamos que fosse prestigiante no mercado da restauração alguém ter passado por esta academia.

O OE2018 inclui várias mexidas nos impostos, em produtos como o açúcar. Terá algum impacto para os vossos clientes ou para a empresa?

Trabalhamos muito para lá da legislação e há uma maior preocupação com a saúde. Temos diminuído as quantidades de sal e açúcar refinado nos nossos alimentos ao longo dos anos. Estas mexidas no Orçamento do Estado vão ao encontro dessas mudanças. Não vão ter qualquer impacto para os nossos clientes.

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